por Andrea Pavlovitsch

Como acabar com a carência afetiva?

Sabe aquela brincadeira que a gente faz às vezes, quando está há muito tempo sem namorado ou com saudade de alguém especial: “estou carente”? Então, depois de ler este texto talvez você ressignifique o que quer dizer isso. E não vai mais querer sentir isso, nem de brincadeira.

Mas de verdade, uma coisa é uma fala assim, jogada do nada. Outra é a realidade de uma pessoa que sofre desse mal, tão comum na atualidade: a carência afetiva.

A carência afeta homens e mulheres, mas não sei o porquê, pessoalmente e na minha experiência em consultório, vejo isso mais nas mulheres. Carente é aquela pessoa que pauta sua vida e sua felicidade, principalmente a amorosa, no outro. É aquela pessoa que sente uma imensa necessidade de ser amado, como se precisasse do outro para se sentir realmente especial.

De fato, a sensação é essa: quero me sentir especial. Quero me sentir uma prioridade absoluta na vida de alguém. Quero sentir que alguém me ama tanto, mas tanto, que daria a vida por mim. Todas essas sensações existem, mas a maioria delas é inconsciente na realidade. Não percebemos que é assim, mas agimos dessa maneira.

Quando seu namorado esqueceu de mandar uma mensagem de bom dia, por exemplo, a pulga gorda já se instala atrás da sua orelha. É como se não pudesse sobreviver sem isso. Existe um incrível medo de perder o amor. Veja bem, pode ser diferente de ciúmes (apesar das pessoas confundirem e até podem sentir as duas coisas) porque não é um medo de que tenha outra pessoa, e sim que essa outra pessoa roube o que lhe mantém vivo.

E quando passa de ciúmes, chega à obsessão. É como se você estivesse no deserto e aquele é o seu único copo com água. Bem, o que faria se visse alguém se aproximando dele? Nesse caso, a carência afetiva causa inúmeros problemas de relacionamento e, em quase todos os casos, impede de verdade a felicidade da pessoa.

Bom, mas o que fazer com isso... Tratar a carência afetiva não é nada fácil. Isso porque ela costuma se instalar no nosso inconsciente com as primeiras experiências de amor, em casa ou com nossos cuidadores. Existem também aspectos da própria personalidade que precisam ser analisados, assim como mudanças de comportamento e de sentimentos profundos, muitas vezes relacionados até mesmo com a gestação.

A carência precisa ser levada a sério e o primeiro passo é reconhecê-la. Saber-se um carente afetivo faz com que você comece a repensar o que anda fazendo com a sua vida. Comece também a analisar o que faz com que seus parceiros acabem saindo correndo, sufocados por algo que até parece amor, mas é só uma necessidade de carência. E ninguém gosta de ter um amor falso, não é mesmo?

Se você se identifica, procure ajuda. Principalmente para encontrar onde ela começou, como isso começou e mudar os padrões de pensamentos que geram a sensação de solidão que ela traz e que é muito perturbadora. Amar-se, em primeiro lugar, é uma necessidade latente, já que todo o amor que você tiver sai de dentro para fora. Encontre, dentro de você, um espaço amoroso, algo que transborde e não que esteja sempre pela metade, esperando ser preenchido. 

Andrea Pavlovitsch

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Terapeuta porque adora ajudar as pessoas a se entenderem. Escritora pelo mesmo motivo. Apaixonada por moda, dança, canto e toda forma de arte. Adora pão de queijo com café e não pretende mudar o mundo, mas, quem sabe, uma pequena parte da visão que temos dele.