por Andrea Pavlovitsch

Amor possessivo e ciúmes

Outro dia recebi um e-mail de uma moça perguntando sobre as crises de ciúme que ela tinha com relação ao marido. Ela dizia implicar com tudo e usar alguns subterfúgios para controlar a vida dele. Ela olhava bolsos, pesquisava no celular. Ficava pensando no que diabos ele estava fazendo que se atrasou 30 minutos para chegar em casa e mais uma infinidade de coisas que mais pareciam de filme. Enfim, um sofrimento danado para os dois lados, e algo que pode acabar com o relacionamento dela.

O problema com o ciúme é que ele é bem visto socialmente. Dizem que isso é um sinal do amor que a pessoa sente, quando não tem nada, nada a ver. Isso é só a justificativa do ciumento para o seu parceiro ou parceira, para não parecer que é maluquice. No fundo é sim, um pouco.

Por incrível que pareça, a maioria dos crimes no mundo, principalmente violência ou homicídio de mulheres, são os chamados crimes passionais. São homens ou mulheres que matam. “Por amor”... Alguém por favor me diga onde está a parte do amor aqui? Porque eu não estou vendo!

Na realidade, quem mata por amor não quer matar o parceiro. Não quer matar o amor, mas sim matar a sensação insuportável que está sentindo. Grande parte dos crimes passionais é seguido de suicídio, o que corrobora o que estou dizendo. A pessoa quer matar a dor que ela sente com relação ao parceiro.

Então, não é legal, não é bacana e nem é nada que a pessoa faça porque quer. O ciúme excessivo pode ter muitos motivos, mas geralmente ele descende da codependência afetiva. Lembram daquela novela do Manuel Carlos, Mulheres Apaixonadas, que a personagem da Giulia Gam acabava indo a um grupo de apoio às codependentes, o MADA? Pois é, é isso.

Na codependência a pessoa não vê a possibilidade de perder o objeto de amor e isso gera um sofrimento interno muito grande. A pessoa cria mecanismos, às vezes bastante estranhos e beirando à psicose, de que o outro não o ama o suficiente ou quer ir embora. Isso é bem comum, a pessoa perde a noção da realidade e passa a viver a vida do outro. Qualquer coisa é motivo de desconfiança.

Insegurança, falta de autoestima e autoconfiança começam a gerar atritos na relação e logo, logo ela acaba de fato. Mas não porque não existia o amor ou houvessem traições, mas porque a própria pessoa gera o fim para cessar o próprio sofrimento. Claro que são mecanismos bastante inconscientes, e eu estou generalizando e resumindo demais o universo da codependência, mas este artigo é mais para esclarecer sobre sua existência e dizer que sim, o ciúme tem solução e pode ajudar a você em seu sofrimento ou no sofrimento de outras pessoas.

Se você se sente assim, procure ajuda urgentemente. Procure psicoterapia ou um bom psiquiatra e se ajude nisso. É bem complicado que você consiga fazer isso sozinho, então o melhor é se ajudar.

Não precisa ser assim e não, ciúme não é sinônimo de amor. Amor é bom, ciúme não. Simples assim.

Andrea Pavlovitsch

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Terapeuta porque adora ajudar as pessoas a se entenderem. Escritora pelo mesmo motivo. Apaixonada por moda, dança, canto e toda forma de arte. Adora pão de queijo com café e não pretende mudar o mundo, mas, quem sabe, uma pequena parte da visão que temos dele.