por Andrea Pavlovitsch

Controlando pensamentos catastróficos

Aconteceu na Bahia, em plenas férias de verão. Estava eu, bela e folgada, jantando num lindo restaurante na Marina Bahia. O lugar é uma graça, fica num píer e jantamos com a água debaixo dos nossos pés. Bem ali fica o mar, iluminado por uma belíssima luz verde (artificial). A brisa baiana, o verão, o calor, estava tudo perfeito.

Levantei-me da mesa e fiquei observando as pequenas ondas que se formavam no píer. Senti uma aproximação ao meu lado, era a minha mãe. Ela olhou aquilo e disse que lindo, né. No que eu concordei na hora! E então ela seguiu com um imagina aquelas pessoas no Titanic, aquela água gelada, a pessoa cai na água e morre congelada, ai credo.

Fiquei parada, olhando para ela, pensando de onde diabos ela tinha tirado aqueles pensamentos. E depois de conformada eu pensei meu deus, e ela é que me criou. Sempre me perguntei de onde vinham meus pensamentos catastróficos. Uma vez fiquei paralisada vendo um caminhão cair de cima de uma ponte, só na minha imaginação. Sempre imagino que o avião no qual eu viajo está caindo, que o carro vai bater e cair num rio e uma centena de desgraças dignas de Hollywood (e de onde será que os autores de lá tiram suas ideias, não é?). Ali eu entendi tudo. Era tudo dela! Sua maneira de pensar catastrófica me criou. Justo eu, um serzinho médium e impressionável, enchendo a minha cabeça de minhocas.

Outra dia me peguei justamente pensando uma desgraça destas e consegui parar meus pensamentos. Eu apelidei isso de ameba da desgraça, só pra eu poder entender quando é ela e quando sou eu. O mais interessante das amebas da desgraça é que os pensamentos parecem ser automáticos. É como se um pensamento invadisse a sua mente, como se viesse de fora de você e, quando você percebe, já está lá no meio da bagunça.

Isso não acontece só nos casos de desgraças deste tipo, mas de outros modelos também. Aquela que imagina que qualquer comida vai deixá-la obesa. Aquela que, e eu sempre vejo estas nas minhas clientes, tem medo de ficar pobre de ir morar debaixo da ponte. Eu sempre brinco que se todas que tem medo de morar lá fossem, de fato, não teríamos pontes suficientes no Brasil.

Temos o péssimo hábito de pensar única e exclusivamente no que é ruim. Quando queremos ter um pensamento promissor, positivo, precisamos parar e fazer uma força imensa. Mas a desgraça, essa vem de graça e rapidinho. É aquele seu amigo que, quando você conta que caiu, diz que também caiu, mas que prendeu a perna num trator e o trator quase levou seu dedão!

Quando você fala que pensa em se separar, já conta que tem certeza de que a mulher tem outro, ou que o marido tem outra. Enfim, acho que exemplos disso são coisas que não devem faltar na sua vida, não é mesmo? E como combater isso? A primeira coisa é identificar onde estão os seus pensamentos catastróficos.

Será que é na parte financeira? Medo de desastres naturais? Medo do quê? Depois que você entender isso, começa um longo trabalho de combate das amebas. Eles (os pensamentos) vão falar e você vai deixar que falem. Não pode se prender ao pensamento e começar a inventar mais e mais coisas naquilo, não. Simplesmente pare e observe. Comece a repetir um mantra pessoal que você mesmo pode criar. Eu estou usando o isso não é meu, este pensamento não me pertence. Você pode usar um estou em paz, calma ou simplesmente tentar se distrair de alguma maneira. Também funciona imaginar a placa Pare, como se ela estivesse bem na sua frente, cada vez que estas coisas acontecerem.

Na primeira vez vai parecer que não adiantou nada. Mas com o tempo os pensamentos catastróficos vão ficando disciplinados. E aí você poderá perceber o quanto de tempo e de energia perdeu com bobagens. Essa é uma ótima maneira de parar de pensar no mal e começar a se conectar ao seu bem.

Andrea Pavlovitsch

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Terapeuta porque adora ajudar as pessoas a se entenderem. Escritora pelo mesmo motivo. Apaixonada por moda, dança, canto e toda forma de arte. Adora pão de queijo com café e não pretende mudar o mundo, mas, quem sabe, uma pequena parte da visão que temos dele.