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por Hellen Reis Mourao

Freyja – A Senhora

Freyja é uma deusa muito antiga da cultura germânica. Ela era uma deusa do clã dos deuses Vanir, ou seja, uma deusa ligada aos ritos de prosperidade e de fertilidade.

Uma deusa cheia de atributos. Ela é associada ao amor, fertilidade, a beleza, a riqueza, a magia, a guerra e à morte.

Alguns autores consideravam que Freyja e Frigga eram a mesma Deusa — porém, as diferenças são óbvias. Mas, as duas juntas formam uma totalidade feminina do amor, pois uma é a deusa da vida conjugal e da família, a outra é a deusa da sexualidade e da magia. Todos esses atributos muito femininos.

Freyja era chamada de A Senhora e invocada, junto com seu irmão, Freyr, para atrair prosperidade e fertilidade da terra.

Ela é filha da deusa da terra Nerthus e do deus do mar Njord, e foi cedida ao clã dos deuses Æsir juntamente com seu pai e irmão, como parte de um acordo firmado entre os dois clãs.

Mas Freyja não é só a deusa da sensualidade, sexualidade, amor e atração. Ela também era a deusa da magia, da adivinhação e da riqueza. 

Era a líder das Valquírias (condutoras das almas dos mortos em combate). E dividia com Odin as almas dos guerreiros que morriam em combate. Metade das almas iam para o palácio dela chamado Fólkvangr, enquanto a outra ia com Odin para o Valhala.

Freyja teve vários amantes, era uma deusa voluptuosa e grande apreciadora de colares. E se valia do sexo para atingir seus propósitos. Ela tinha um marido, Odr, mas, ele desaparecia por alguns meses do ano, fazendo com que Freyja chorasse lágrimas de ouro e âmbar.

 

Ela possuía um colar mágico chamado Brisingamen, supostamente de ouro, obtido de quatro gnomos ferreiros, em troca de ter dormido uma noite com cada um. Na Edda em prosa, é relatado o roubo do colar por Loki, a mando de Odin.

Além disso, Freyja tinha uma carruagem guiada por dois felinos. Aliás, os felinos eram animais associados a ela.

Como imagem arquetípica, ela possui algumas semelhanças com Afrodite, ou Vênus, por ser deusa do amor, da luxúria e da fertilidade. Afrodite tinha seu cinto mágico que usava para sedução, enquanto Freyja usava o colar.

Com Perséfone, Freyja se aproxima na ausência da terra durante alguns meses. Sendo também uma deusa da morte, como Perséfone.

No culto grego, a deusa do amor e a deusa dos mortos são separadas. Freyja traz em si os dois aspectos da Grande Mãe, o da fertilidade e o da morte, contendo em si os ciclos da natureza.

Freyja é a senhora da magia e do amor, também. Ela é considerada a senhora da riqueza, pois suas lágrimas se transformavam em ouro. Ou seja, ela é a riqueza da natureza.

Uma deusa alquímica, também, com poder de transformação (as lágrimas em ouro). Era descrita uma mulher voluptuosa e arrebatadora, tendo vários amantes entre os deuses. Nada mais transformador que a paixão e o amor. O amor faz com que nos transformemos, por meio do acesso a coisas que desconhecemos em nós, e isso através do outros.

Deusa da guerra também, líder da Valquírias, mostrando que o amor e a guerra caminham juntos.

Além disso, Freyja tem uma carruagem puxada por felinos.

 

Os felinos são animais associados à magia, à intuição e à independência. Muito próximos ao feminino, os gatos foram perseguidos na idade média por serem associados às bruxas.

Dessa forma, Freyja mostra os aspectos de um feminino independente, poderoso, dono dos seus desejos e com poder.

 

Referências bibliográficas: 

FAUR, M. Mistérios nórdicos: deuses, runas, magia, rituais. São Paulo: Pensamento, 2007. 

FAUR, M. Ragnarök – O crepúsculo dos deuses. São Paulo: Cultrix, 2011. 

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Hellen Reis Mourao

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Analista junguiana. Formada em psicanálise e psicologia analítica. Especializada em Mitologia e Contos de Fadas. Atendimentos em psicoterapia.