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por Hellen Reis Mourao

Frigga – A amada

Frigga é uma deusa da Mitologia Nórdica, a deusa Mãe dos deuses Aesir. Era filha da deusa da terra Fjorgyn e irmã do deus Thor. Mãe dos deuses Baldur, Bragi, Hermod, Hodur e Idunna. É conhecida pelos nomes: Frigg, Frige, Frija, Fricka, Frea, Frewa, Fruwa, Hlin, Hlyn e Lin. Casada com Odin, é a senhora do casamento, do amor conjugal, da união, da família, mães, atividades domésticas, gerência da casa e da fertilidade.  

O seu nome significava “A Amada” e ela era extremamente sábia. Era representada por uma bela mulher de cabelos prateados trançados com fios de ouro. Usava um manto azul com penas de falcão e gavião, com muitas joias e pedras preciosas. Trazia também um molho de chaves no cinturão. Apesar de sua origem telúrica, era a deusa do céu e do tempo. De seu trono, que ficava nas nuvens, observava tudo o que se passava nos nove mundos.

Vivia em seu castelo Fensalir, com doze deusas que a auxiliavam. Essas deusas eram: Eir, Fulla, Gefjon, Gna, Hlin, Lofn, Saga, Sjofn, Snotra, Syn, Var e Vor.  Eram deusas virgens, ou seja, autossuficientes e representavam facetas diferentes de Frigga. Simbolizando diferentes aspectos da psique feminina. Fensalir era o local onde as almas dos cônjuges que tinham sido fiéis um ao outro se reuniam após a morte, para nunca mais se separarem. Uma estrela da Constelação de Órion é chamada de "Friggajar Rockr", em sua homenagem.

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Mesmo sendo conhecida como esposa e mãe, Frigga possui outras diversas funções importantes. Um dos seus atributos era fiar os fios do destino com o seu fuso de ouro e entregá-los às Nornir – deusas do destino. Ela tudo sabia, mas nada falava. A grande teia do destino tecida pelas Nornir acompanhava a trajetória do Sol e formava a chamada “tessitura da vida”. Frigga também era invocada no parto para proteção dos bebês e em todos os ritos de passagem femininos. 

Ela aconselhava Odin usando sua precognição e sabedoria e, às vezes, agia de forma contrária a ele (favorecendo os seus heróis preferidos e dando-lhes a vitória nas batalhas). Frigga é a única, além de Odin, que pode se sentar no Hlidskialf (trono onde Odin e Frigga podem ver os 9 mundos). A sexta-feira é o dia dedicado a ela (juntamente com Freyja e Frey), por isso sexta-feira em inglês é Friday, que significa "Frigg's Day" (o dia de Frigg). 

Como imagem arquetípica, Frigga se aproxima da deusa grega Hera e da romana Juno, como deusa do casamento, das parcerias, da vida familiar, senhora do céu e fidelidade conjugal. Mas enquanto Hera e Juno foram rebaixadas de status e retratadas como deusas ciumentas e vingativas, Frigga não competia com as amantes de Odin, pois além de possuir o dom da profecia (portanto ela sabia antes das escapadelas do marido), para os nórdicos o conceito de casamento era bem diferente. Apesar de serem poligâmicas, as mulheres nórdicas eram mais respeitadas do que as gregas e as romanas. As mulheres podiam divorciar e casar com outro e tinham um papel mais atuante, inclusive como guerreiras.

Frigga é a grande senhora do destino e da magia, mostrando que o destino é feminino, por ser cíclico, da maternidade, da fertilidade e das uniões conjugais, tudo isso mostra que essa deusa representa aspectos iniciáticos e profundos do feminino. A maternidade, o cuidado da casa e da família, a união com o sexo oposto (como casamento sagrado) e o conhecimento do destino, que aparece para a mulher como súbitas intuições, são ferramentas de transformação da personalidade da mulher.  

Um de seus símbolos era o fuso. O fuso é um poderoso símbolo feminino que representa a sabedoria, a virtude e o mistério. Para Von Franz (2010), o fuso e o ato de fiar são atividades femininas, com as implicações de sexualidade e fertilidade. O fuso é um símbolo das feiticeiras e velhas sábias. O trabalho de fiar ajuda a desenvolver a paciência e a diminuir a atividade febril do animus (lado masculino da mulher). A mulher aprende que tudo tem ciclos e tempo para se desenvolver. É preciso paciência, calma e concentração para fiar.  

A fertilidade e a sexualidade aparecem em Frigga. Quando as mulheres queriam engravidar, recorriam a ela. Mesmo sendo símbolo de fidelidade, Frigga vivia com os irmãos de Odin, Vili e Vé, em sua ausência. Chegou a ser acusada de adultério por Loki, mas se defendeu afirmando que os irmãos eram aspectos de Odin. Além disso, em alguns textos antigos, Frigga barganhou o seu corpo por joias. Submetendo-se a um anão para escapar da punição de Odin por ela ter roubado ouro de uma estátua oferecida a ele. Vemos aqui aspectos sombrios do feminino, como a vaidade extrema e o uso da sexualidade em troca de favores (a prostituição).  

A deusa contém em si os três aspectos da trindade feminina: a jovem, a mãe e a anciã. Bem como o aspecto sombrio do feminino, formando assim uma quaternidade feminina. Assim, a deusa mostra uma completude feminina única. Uma completude de aspectos do feminino, com a anciã, a esposa, a sábia, a jovem, a virgem e a sedutora. E, principalmente, o conhecimento do destino e a aceitação do mesmo, que é cíclico. 

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Hellen Reis Mourao

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Analista junguiana. Formada em psicanálise e psicologia analítica. Especializada em Mitologia e Contos de Fadas. Atendimentos em psicoterapia.