por Hellen Reis Mourao

Mitologia Nórdica: Baldur

Baldur (Balder, Baldr) é um deus nórdico misterioso e enigmático. Um deus solar que se aproxima da figura do Grego Apolo. Conhecido como o brilhante, o belo e o luminoso, Baldur é filho de Odin e Frigga. Casado com a deusa Nanna (vegetação) e pai de Forseti (justiça).

Conforme Faur (2007), há poucos indícios da existência de um culto organizado a Baldur, sua importância parece resumir-se à sua morte e ressurreição no Ragnarök. Baldur era um deus amado por todos os outros deuses, por ser belo, radiante, justo e sábio. O único deus que não o amava era o invejoso Loki, que tramou a sua morte.

No mito, Baldur começa a ter pesadelos, onde pressente a sua morte. Esse pressentimento de sua morte iminente acabou preocupando os outros deuses, pois emanava sua bondade e paz em todos os lugares onde ia. Völuspá (que significa A Profecia da Vidente) é o nome do primeiro e mais conhecido poema da Edda poética. Conta a história da criação do mundo e de seu final (o Ragnarök), narrada por uma völva (mulher vidente) e dirigida a Odin.

Após investigar os sonhos de Baldur, Odin encontra a völva que lhe narra os eventos da Völuspá. Sabendo do destino de Baldur, resolve tomar algumas precauções para evitá-lo. A Deusa Frigga, parte então em uma missão de obter um juramento de todos os seres vivos e não vivos de que jamais fariam mal a Baldur. Todas as criaturas sobre a Terra — deuses, homens, animais, plantas ou minerais — fizeram um voto de não prejudicar seu filho.

A vidente menciona para Odin acontecimentos presentes e futuros, aludindo a muitos dos mitos nórdicos, incluindo a morte de Baldur e a prisão de Loki. Eventos esses que dão início ao Ragnarök e à segunda vinda de Baldur.

Porém não se pode evitar o destino. A deusa Frigga – mesmo sabendo que o destino traçado pelas Nornes não pode ser mudado – age com o seu amor materno, pedindo a todas as criaturas para não prejudicarem seu filho, mas ela se esqueceu de incluir um visco pequeno, pois acreditou que ele era inofensivo.

Loki descobriu o esquecimento da deusa e articulou um plano. No dia em que os deuses estavam comprovando a invulnerabilidade de Baldur com um teste, onde ele foi colocado em um círculo formado pelos deuses que atiravam armas e pedras em sua direção, a fim de comprovar que ele estava de fato imune à morte. Loki, aborrecido, com essa invulnerabilidade, confecciona uma flecha com um ramo de visco e pede ao irmão de Baldur, o deus cego, sombrio e retraído Hödur, para que participe da brincadeira. Com isso, Hödur mata Baldur. 

Odin e Frigga, se esforçam em trazer o filho da morte, mas não conseguem. Ao descobrir o plano de Loki, e após várias peripécias e manobras, os deuses o prenderam e o mantiveram em cativeiro até o Ragnarök.

Baldur, como deus solar, lembra o Grego Apolo. Seu palácio dourado se assemelha ao de Apolo. E ambos amavam as flores que desabrochavam na sua passagem. Contudo, Baldur se difere de Apolo, por ser um deus da vegetação, mas principalmente, por ser um deus sacrificial, o que o aproxima também de Dioniso. Apolo dividia com Dioniso a regência do oráculo de Delfos com Dioniso, que regia o oráculo no inverno, sendo ambos complementos da mesma divindade, que encontramos em Baldur.

Ele é o mensageiro do Novo Mundo, que surgirá após a purificação pelo Ragnarök e assumirá o lugar de seu pai, Odin. Como representante do princípio solar, ele é o nascer e o pôr do sol (com a sua morte). Baldur, então, representa a consciência solar que precisa ser constantemente renovada. Que passa pelos ciclos onde se encontra com o irracional, a escuridão e o caos.

A morte desse deus simboliza o desespero e a dor, a vitória da escuridão sobre a luz. Mas também, a esperança do retorno da luz e da compreensão. É o renascimento da alma, após a morte da identificação com os desejos egóicos. 

Hellen Reis Mourao

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Analista junguiana. Formada em psicanálise e psicologia analítica. Especializada em Mitologia e Contos de Fadas. Atendimentos em psicoterapia.