Compartilhar

por Helyete Santos

O que ficou

Era sincero e, sem dúvida, maravilhoso andar de mãos dadas, mesmo em silêncio, com pensamentos, às vezes, até distantes por alguns segundos, mas retornávamos próximos o bastante para nos sentirmos companheiros apaixonados.

Sempre que nos sentíamos assim, nós nos jogávamos por inteiro – corpo e alma – na festa das nossas conquistas. Cada beijo, cada olhar pertencia à verdadeira vontade e conquista de ser feliz. Trazia brandura nas nuvens, na escrita triturada de fatos tristes, nas fotos dos distantes e dos distanciados. Era a vibração intensa, como se não estivéssemos ali para vivenciarmos tudo o que a vida nos oferecia.

É assim que, de repente, nos deparamos com as flores coloridas, pintadas e estendidas sobre a toalha da mesa de jantar. Enquanto nós observamos apenas a comida que vai saciar a nossa fome, deixamos de ver que, ao nosso redor, outras belezas se cumprem em artistas e visionários, em crianças e velhinhos cansados e risonhos, em trabalhadores e artesãos. Cada um com suas tendências e determinações.

Podemos nos sentir sozinhos perante a multidão do mundo, perdidos e desvalidos, sem saber dos caminhos, das tréguas para a paz que poderá mudar nosso rumo. Muitos se voltam para a vingança de seus sentimentos fracassados, outros, no próprio fracasso. Mas tem os fortes, capazes de assumir seus erros e acertos e de criarem novas etapas para suas novas esperanças.

Deixa-se o ranço do passado e passa-se a viver o presente feito uma dádiva dos céus para os que têm coragem e apreço pela vida, mesmo sem ter com quem dar as mãos hoje. O passado tem seu valor na referência do que fizemos dele e com ele, mas antes de mais nada, temos que ter a coragem de vê-lo como foi, embora a nossa maturidade nos deixe, muitas vezes, camuflar a realidade.

Vemos sim, com o passar dos anos, ângulos diferentes, jamais termos sido capazes de vivenciá-los. Neste momento, orgulho e humildade tem que ocupar seus devidos lugares. A sensatez e o equilíbrio valem ter sido exercitados em todos os seus aspectos.

Aí se restaura, em um passe de mágica, o olhar, o abraço, as mãos, a ternura, o início, o meio e o fim do que ficou: Muito, pouco, ou quase nada. Só ficou.

Compartilhar

Helyete Santos

+ artigos

Sou paulistana. Atualmente, moro na cidade de Santos. Atuei como professora de Redação e tenho vários livros publicados sobre técnicas redacionais, como Pais e Filhos Entre Erros e Acertos Editora Edicon. Escrever traz à tona o modo sensível de se viver.