por Andrea Pavlovitsch

Qual é o seu calcanhar de Aquiles?

Aquiles era filho de Tétis (deusa do mar) e Peleu (rei dos mirmidões). Sua mãe, assim que ele nasceu, o mergulhou no Rio Estige, rio de dava sete voltas no inferno, tornando-o invulnerável. Mas ela precisou segurá-lo pelo calcanhar, não banhou essa parte, e essa tornou-se a única vulnerabilidade do rapaz. E sim, todos nós temos algo de vulnerável em nós.

Eu comecei a sentir um padrão assim nos meus primeiros atendimentos como terapeuta. A pessoa tinha a vida toda em ordem, mas uma coisa simplesmente não dava certo. Não do jeito que nós acreditamos que deva ser o certo. Podia ser a vida amorosa, sentimental. Para alguns era a parte financeira ou o trabalho. Parece que a pessoa dá voltas e mais voltas e nunca sai do mesmo local. Ela não consegue mudar, por mais que realmente queira e que realmente se esforce de todas as maneiras para isso.

Eu também tenho uma área da minha vida que é difícil de lidar. Na verdade, eu tinha duas, que eu achava que eram interligadas, até ver que não era bem assim. Eu tive problemas de autoestima muitos anos, de não me aceitar como eu era e isso me incomodava demais. E hoje, por incrível que pareça, isso não existe mais. Não que eu não tenha meus dias ruins, mas na sua maioria vou muito bem, obrigada. A outra parte é a vida sentimental, amorosa que, na verdade, é o calcanhar de muitas pessoas. 

 

Pois então, eu pesquisei muito. Eu me trabalhei (e trabalho muito). Tento entender as minhas questões, porque não dá certo, o que já deu. Investigo profundamente cada uma das minhas razões emocionais, mas não acontece. As coisas simplesmente não mudam. Perguntei muito para Deus porque as coisas não davam certo para mim e porque Ele não queria que eu fosse feliz. Até que eu comecei a analisar a questão deste ponto de vista. Será que este é o meu calcanhar de Aquiles?

Sim, no meu caso. Em todas as outras áreas eu me viro muito bem, obrigada, apesar de estar num caminho de aprendizado em cada uma delas. Mas as coisas andam, acontecem, parece tudo ser mais fácil. Então, o que acontece comigo (ou com você, que deve estar pensando na sua área-problema) do ponto de vista espiritual e energético?

Encontrei uma explicação num livro do Gasparetto que fez todo o sentido para mim. Ele falava do livre arbítrio. Por que algumas pessoas tem uma doença grave, um acidente, uma desgraça na família? Por que algumas pessoas não dão certo em determinadas áreas, como o amor ou o dinheiro, por exemplo? Ainda assim isso é livre arbítrio?

 

A explicação é simples, mas profunda. Nós temos o eu, o nosso lado terreno. Essa sua personalidade, seu jeito, seu nome, suas coisas. Mas dentro de você existe um espírito, uma alma, uma essência espiritual. Essa essência é eterna, não morre e não nasceu nunca. Ela não tem questões pequenas como nós, ela pensa no todo, a longo, longuíssimo prazo. É ela quem escolhe as nossas lições antes do reencarne.

Então, falamos de carma? Mais ou menos. Existe um espírito que trouxe lições que serão vividas através de nós. Ele é seu, mas é o seu Deus interior. Ele não quer o seu mal, ele quer ganhar, ele quer a evolução, a paz e a felicidade, mas ele sabe que, enquanto você não entender o que precisa entender, as coisas não vão mudar.

Então ele segura. Sempre ele segura alguma área que tenha a ver com o que você precisa saber, com o que o espírito quer te ensinar. Se ele segura a sua parte financeira, por exemplo, pode ser que ele precise te ensinar a ser mais humilde. Se é a área amorosa, talvez ele queira que você aprenda a ser feliz sozinho. As lições do espírito são as mais diferentes. Então, a pergunta precisa ser mudada: 

Para que eu preciso disso? Deste problema, desta falta, desta necessidade nunca parecer satisfeita na minha vida? Para que o meu espírito tiraria isso de mim. E você pode se perguntar, lá dentro, através de suas sombras “Alma, o que você quer de mim? ”.

 

A resposta não é fácil de encontrar. Mas a partir do momento em que conseguimos achar o fio da miada, as coisas ficarão mais fáceis. Eu acredito em remissão total. Acredito que eu possa ter a minha vida amorosa plena um dia. Acredito que uma pessoa possa superar uma perda, uma doença ou passar a ser mais próspero. Só precisamos realmente nos abrir para as respostas do nosso espírito. Porque no fundo, no fundo, a gente sempre sabe!

Andrea Pavlovitsch

+ artigos

Terapeuta porque adora ajudar as pessoas a se entenderem. Escritora pelo mesmo motivo. Apaixonada por moda, dança, canto e toda forma de arte. Adora pão de queijo com café e não pretende mudar o mundo, mas, quem sabe, uma pequena parte da visão que temos dele.