Compartilhar

por Andrea Pavlovitsch

Valorize seus momentos especiais

No geral, quem aí tem a coragem de dizer que a vida é “legal” na maior parte do tempo? Com certeza, mesmo que você seja uma Kardashian, não tem como dizer isso. A vida é dureza. Sim. E isso está completamente certo. 

Temos problemas o tempo todo. A vida é uma fábrica deles, soltando-os na nossa cara o tempo todo. Agora mesmo eu aqui, sentada na frente do meu computador, acabo de perceber que o freezer ficou aberto a noite toda. Está uma aguaceira danada na cozinha e ainda pode ter estragado tudo lá dentro. Isso aconteceu depois que um prato quebrou e todo o vidro foi parar debaixo do fogão. Em uma cozinha minúscula e com muito pouco tempo sobrando, os cacos ficaram lá embaixo até a faxineira aparecer na segunda. Mas aí, vem a gata e brinca de pescar os cacos. Moral da história, lá vou eu usar o meu tempo de descanso para catar os cacos e salvar a gata de um machucado. 


Enfim, é isso o tempo todo. É a senha do banco, o cartão que sumiu, um dos chinelos ou do par de brincos que você não sabe onde colocou. São as dívidas, as doenças, as dores de barriga. Os foras do namorado, o filho doente, a balança que sobe (ou desce). Gente, é coisa demais... É complicado demais ser adulto! 

E não, não estou falando de ser uma super celebridade. Aliás, nisso a vida é bem democrática. Ela é chata para todo mundo. Mas e aí? O que fazer com isso? 

Assim como a vida é uma fábrica de problemas, é também uma fábrica de felicidades. Uma fábrica de espera por coisas boas. A espera pelo filho chegar da escola, a espera pelo primeiro encontro. À espera pela estreia do filme predileto, à espera do bolo ficar pronto no forno. E depois, os momentos, raros e pequenos, em que desfrutamos isso e que passam tão, tão rápido. 

Então, por que ficar lá, no encontro semanal com as amigas, pensando no que você não tem em casa? Pensando nas contas ou na briga com o marido? Por que somente não desfrutar do que é bom, dos nossos raros momentos de felicidade? 

Na realidade, trabalhamos tanto para poder ter isso, de tão bom que é. Algumas horas sob o sol quentinho em um dia de verão, valem as horas no trânsito do resto da semana. Um almoço de domingo com a sua família toda reunida, vale as marmitas com legumes e saladas que comemos de segunda a sexta. 

Não que precisemos não sentir o prazer da salada ou do trânsito. Claro que devemos aproveitar tudo o que temos, tudo o que a vida nos trouxe, de bom ou ruim. Mas, em alguns momentos, só vivemos para poder recordar e pedir por mais passeios na praia, brincadeiras com as crianças ou macarronadas à bolonhesa. E isso é sempre tão bom, tão legal e tão compensador, que vale por todos os nossos sacrifícios. 

Então, aproveitemos... Não é!? 

Compartilhar

Andrea Pavlovitsch

+ artigos

Terapeuta porque adora ajudar as pessoas a se entenderem. Escritora pelo mesmo motivo. Apaixonada por moda, dança, canto e toda forma de arte. Adora pão de queijo com café e não pretende mudar o mundo, mas, quem sabe, uma pequena parte da visão que temos dele.