Compartilhar

por Paulo Bregantin

Quanto mais Totem, mais tabu, ou vice-versa?

“Totem significa o símbolo sagrado adotado como emblema por tribos ou clãs por considerarem como seus ancestrais e protetores. O totem costuma ser um poste ou coluna e pode ser representado por um animal, uma planta ou outro objeto”.

Não é de se espantar que somos assim, cheios de dogmas, rituais e esquisitices. Cada um de nós tem a capacidade de criar e inventar “totens”. Fazemos isso coletivamente, através da busca para conseguirmos a aceitação do grupo que vivemos ou queremos ingressar. Individualmente, criamos totens para nos relacionarmos com as pessoas que “achamos” que amamos.

“Totem é uma palavra derivada de "odoodem"que significa "marca da família", na linguagem indígena Ojibwe dos índios da América do Norte. Os totens são vistos como talismã, objetos de veneração e de culto entre o grupo”.

Os totens existem dentro de nós, pois é uma “marca da família”, ou seja, a família no sentido do grupo que vivemos e não somente a de sangue, nesse sentido a “família” é mais abrangente, pois é a forma que nos vestimos para agradar o grupo que frequentamos, por exemplo, se somos motoqueiros vestimos roupas semelhantes, se somos de alguma religião nos vestimos de forma a nos conhecer com apenas um olhar ou um comprimento, ou acenar de mão, se somos de alguma seita ou grupo “fechado” criamos os totens para a melhor comunicação e, sem percebermos criamos as regras exatas e formas lógicas de nos comunicarmos e nos entendermos. Os totens nascem dentro de nós mesmos.

“Em algumas tribos, o totem pode ser simbolizado por um desenho do brasão do grupo, utilizado em diversos objetos como identidade da família à qual pertence”. Um totem poderia ser um animal, planta, objeto ou fenômeno considerado sagrado por uma determinada sociedade. “Consiste em um símbolo familiar com poderes sobrenaturais e com características protetoras” (dicionário).

Somos totêmicos e de forma inconsciente criamos para cada grupo que vivemos nossos totens e, isso domina nossas vidas e nossas ações. Mesmo quando fugimos disso, somos levados a formar totens. Somos regidos por totens, somos totêmicos por falta de puro conhecimento e entendimento de nós mesmos. Achamos que “agimos” através de nossa consciência, porém na realidade “reagimos” conforme nosso inconsciente. Isso nos transforma em “zumbis”, sim, mortos vivos, achando que entendemos as coisas, porém somente reagimos ao que nossos totens internos comandam nossas vidas. Será que temos mesmo consciência do que somos? Será que nossa busca pela verdade do que somos chega até nós de verdade? Será que não bloqueamos os aprendizados de nós mesmos devido ao medo de fugir aos nossos totens internalizados? Será que estamos verdadeiramente preparados para desmistificar os totens internos que nos afagam e, por vezes, nos afogam?

Para sobrevivermos aos totens internos que se manifestam sem que entendamos, somos levados a aprender com os mais velhos uma questão muito indigesta, mas que desde criança somos obrigados a engolir, sim, estou falando dos “Tabus”.

 

“Tabu é uma instituição de fundamento religioso que atribui caráter sagrado a determinados seres, objetos ou lugares, interditando qualquer contato com eles. Segundo Freud é a base da "Idolatria”.

O tabu, em linguística, é a imposição de uma proibição "Maldição", "Preconceito de indivíduos e/ou grupos Políticos" de dizer nomes de certas coisas ou pessoas como as perseguições religiosas e políticas. A palavra é de origem germânica e polinésia, ou vice-versa, uma vez que essa região já fez parte da germânia. Derivando do tonganês tabu e do maori tapu, termos que se referem à proibição de determinado ato, com base na crença de que tal ato invadiria o campo do sagrado, implicando em perigo ou maldição para os indivíduos comuns, da Política, passou para a Religião ou vice-versa” ( dicionário).

O tabu então é uma formatação humana para idolatrarmos algo ou alguém e, é embutido dentro de nós na mais tenra infância, por isso, o tabu fica impregnado nas nossas ações e pensamentos. Alguns exemplos que citarei agora levantarão dentro de cada leitor reações distintos de medo, pavor, raiva, nojo, satisfação, prazer e desprazer.

Sinta cada palavra agora e perceba o que o tabu pode gerar em nossas vidas. Leia cada palavra e tente se remeter ao ensino delas, perceba quando teve contato com a palavra? Como lhe foi ensinada? Como aprendeu sobre o tema? Quais pessoas ou grupos participaram desse aprendizado? Tente se remeter ao local, perceba se o cheiro ou sabor vem a mente.

 

Faça esse exercício agora lendo as palavras que nos ensinaram e viraram “tabus”. Separei somente 10 palavras que refletirão um pouco sobre o que o “Tabu” faz conosco.

Primeira palavra: Incesto. 
Segunda palavra: Sexo.
Terceira palavra: Morte.
Quarta palavra: Traição.
Quanta palavra: Mentira.
Quinta palavra: Igreja.
Sexta palavra: Honestidade.
Sétima palavra: Família.
Oitava palavra: Governo.
Nova palavra: Pênis.
Décima palavra: Vagina.

Cada uma dessas palavras acima são tabus dependendo da criação de cada um de nós. Tenho certeza que cada pessoa será tomada, se fizer o exercício proposto, por sensações, reações, distorções, noções e até mesmo ações para consigo mesmo e com o outro. Bem, creio que você perceberá que somos regidos por tabus e, que eles ainda hoje determinam muito de nossas ações cotidianas. A maioria de nossos julgamentos conosco mesmos e para com os outros estão baseados em nossos tabus. Fazemos isso o tempo todo. Somos regidos pelos tabus impostos em nós.

Conclusão: Os totens e tabus são introjeções que foram feitas por outras pessoas em nossas vidas. Quanto mais conhecer os totens e tabus que nos regem, teremos mais possibilidades de interpretar a vida com mais equilíbrio. Quanto mais entendermos que somos regidos por totens e tabus, criaremos formas mais criativas para situações do nosso dia a dia. Ao enfrentarmos a nós mesmos (totens e tabus) criaremos situações mais agradáveis e leves para com processos que nos cercam a cada momento.

 

Compartilhar

Paulo Bregantin

+ artigos

Mais de 25 anos dedicado ao cuidado de pessoas, sendo Psicanalista Clínico e escritor com várias obras publicadas. Atua nas redes sociais como dono, gerenciando a página Paulo Bregantin e o Grupo Psicanálise Integrativa.

facebook /Paulo-Bregantin