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por Paulo Bregantin

O mundo mudou, eu mudei, você mudou, nós mudamos

Nos tornamos seres mais complexos e estranhamente mais individualizados e muito menos coletivos. Isso fará nos próximos anos toda a diferença entre o que éramos, o que somos e o que seremos nos anos vindouros. 

Antigamente, éramos divididos em homem e mulher, tudo que fosse além disso era tido como “doença” ou algo estranho às condutas “humanas”, e com base nisso criamos nossas regras, dogmas, linguagens, língua, formas e jeitos de se comportar para o Ser que éramos nós, os “humanos”. 

Nascíamos, crescíamos e vivíamos como seres “normais” e “anormais”, os que estavam dentro de um padrão e os que estavam fora do padrão estabelecidos. Isso foi assim até o final do século XIX e início do século XX, e implicou na formação das culturas, religiões, negociações comerciais entre os povos. 

Também regeu os relacionamentos, casamentos, instituições religiosas, as leis do que é certo ou errado, a influência na criação de nossos filhos e filhas, os relacionamentos familiares, a capacitação profissional das pessoas, as escolas de ensino, os governos, enfim, tudo que regia as condutas dos seres humanos no mundo, chamado mundo humano. 

Não podemos fechar nossos olhos sobre o fato de que, a partir do advindo das “informações rápidas”, ou seja, das redes sociais e a informática, entramos em um novo tempo, novo mundo, novas experiências e novas ideias sobre tudo que descrevi no parágrafo anterior. Sim, o ser humano mudou e mudou de forma rápida e radicalmente, o novo ser abriu um espaço e invadiu o ser

Estamos todos assustados com isso, pois não sabemos como lidar com as manifestações desses “novos seres” que surgiram e estão infiltrados entre nós, no meio de nós, dentro de nós, do lado esquerdo, direito, alto, baixo de nós. Estão aqui, chegaram. Não tem mais como fugir. 

Sim, estou falando sobre os novos tipos de gênero do ser humano. Está assustado? Não sabe do que se trata? Acha que é algo do “diabo”? Acha que é o fim do mundo? Sim, eu diria, é tudo isso e muito mais, pois hoje nos EUA já são aceitos os 31 gêneros do “novo” ser humano. São eles:

  • Bi-Gendered (Bi-gênero)

  • Crossdresser

  • Drag King

  • Drag Queen

  • Femme Queen

  • Female-to-Male (Fêmea-para-macho)

  • FTM

  • Gender Bender (Gênero fronteiriço)

  • Genderqueer

  • Male-To-Female (Macho-para-fêmea)

  • MTF

  • Non-Op

  • Hijra

  • Pangender (Pangênero)

  • Transexual

  • Trans Person (Pessoa trans)

  • Woman (Mulher)

  • Man (Homem)

  • Butch

  • Two-Spirit (espírito duplo)

  • Trans

  • Agender (sem gênero)

  • Third Sex (Terceiro sexo)

  • Gender Fluid (Gênero fluido)

  • Non-Binary Transgender (transgênero não binário)

  • Androgyne (andrógina)

  • Gender-Gifted

  • Gender Bender

  • Femme

  • Person of Transgender Experience (Pessoa em experiência transgênera)

  • Androgynous (Andrógino)

Fonte:  http://www.hypeness.com.br/2016/06/nova-york-agora-reconhece-31-diferentes-tipos-de-genero/ 

Você acha assustador? Então, precisa aprender a conviver com essas diferenças de gênero e, o mais importante, é fundamental aceitá-las. Isso será nosso maior desafio, pois como escrevi acima somos “ainda” seres criados de forma diferente, ou seja, para viver coletivamente e divididos entre homens e mulheres, porém, isso já não é mais real, pois a realidade são os gêneros que citei acima e, creiam, virão outros tantos, pois entramos em um tempo de mudança constante. 

A aceleração da mente, dos pensamentos, informações, entendimentos, compreensões e evolução dos seres humanos nos proporcionarão novos tempos e novas perspectivas. É realmente fascinante viver esse tempo chamado hoje, pois estamos vivendo a história da mudança do ser humano. As estruturas básicas do ser “antigo” (eu e você) tinham como estruturas a família, a Igreja e o Governo. A primeira dizia respeito aos relacionamentos ou vivências relacionais – namoro, noivado, casamento, família, estrutura de casa, viver juntos em família (a família perfeita: papai, mamãe, filhos e familiares – tios, tias, sobrinhos, etc). 

A segunda dizia respeito às nossas crenças (leis morais, ética, conduta frente a sociedade, exaltação à família, exemplos, cultivação das histórias familiares e antepassados, ídolos, santos, pessoas importantes, etc) e a terceira dizia respeito à conduta do ser (moral e cívica, como viver em sociedade, leis urbanas, ordem, organizações, respeito, certo/errado, punições, estrutura de comércio interno e externo, produções, vendas, negociações mundiais, governos, estados, municípios, cidades, vilas, bairros, coordenação do ser através das leis e seus líderes).

Bem, vivemos atualmente uma “ruína” desses três pilares: a família, a Igreja e o Governo. Estamos assistindo no mundo todas essas mudanças e, com isso, o “coletivo” está diminuindo e as particularidades estão aumentando, pois somos seres individuais e individualistas, somos indivíduos e buscamos nossa individuação. 

Os tempos são outros e as pessoas estão questionando quem “de verdade” são, e isso vai de encontro, é claro, aos dogmas e tudo que foi proposto pelas 3 estruturas que citei. E, com isso, estamos vivendo esse tempo de complexidade e mudança.

Creio eu que o que poderá auxiliar nesse tempo de mudanças radicais e novo pensamento das pessoas será o exercício do Amor e da Paz, mas não mais levando em conta os ensinamentos das três estruturas (Família, Igreja e Governo). Teremos que desenvolver uma nova forma de avaliar sobre o que é de verdade o Amor e a Paz. 

Penso que deveremos desenvolver o amor consciente, ou seja, um amor onde devemos levar em conta as diferenças, e não os iguais; o amor no sentido de inclusão, e não de expulsão; o amor no sentido de aceitação, o amor no sentido de entendimento e compreensão, e não de julgamento; o amor no sentido de diálogo racional sobre as situações, e não o amor irracional que mata os diferentes; o amor pacífico, e não o que guerreia; o amor que divide ou subtrai, e não multiplica ou soma; o amor nas ações, e não na teoria, o amor da paciência, e não da intolerância, o amor da mutualidade, e não da individualização somente, o amor internalizado, e não somente as expectativas de amor, o amor que põe em evidência a convivência uns com os outros como única forma da manutenção da vida nessa terra

A Paz consciente também deve fazer parte dessa mudança/discussão, pois que paz temos vivido até aqui? Paz da conquista? Paz da guerra para ficar bem? Paz das armas em punho? Paz da insegurança? Paz dos “muros” entre ricos e pobres? Paz das palavras e nada de ação? Paz da impunidade? Paz com base na lei do mais forte contra o mais fraco? Enfim, precisamos de uma nova cultura de Paz, ou seja, uma nova aceitação do que é paz, entender que paz é algo individual, e não coletivo, a paz que modifica e faz com que aceitemos o outro dentro de sua diferença deve vir de dentro, e não de fora.

As leis deverão ser sobre mudanças, sim, as leis de aceitação deverão modificar nossas ideias e conceitos, os preconceitos deverão ser banidos da nossa mente, pois é no preconceito que nasce a intolerância, e da intolerância que advém o ódio, e o ódio se opõe ao amor e, assim, continuaremos no mesmo ciclo de preconceito/intolerância/ódio – o tripé que destrói o ser humano, pois foi esse tripé, como erva daninha, que invadiu e contaminou as três estruturas que falei acima, e esse tripé preconceito/intolerância/ódio vem destruindo nossa civilização. 

Precisamos rever nossos preconceitos, nossas intolerâncias e nossos ódios, para que o amor e a paz tenham direitos de ações em nossas vidas para hoje e o futuro. Somente aceitaremos os novos “gêneros” que, na verdade, são pessoas que não podemos mais excluir de nossas vidas, se deixarmos o Amor e a Paz invadirem nossos corações e mentes

Claro que esse assunto será discutido, ampliado e explorado. Minha intenção com esse texto é abrir uma discussão sobre: o que faremos? Como faremos? Quando faremos? 

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Paulo Bregantin

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Mais de 25 anos dedicado ao cuidado de pessoas, sendo Psicanalista Clínico e escritor com várias obras publicadas. Atua nas redes sociais como dono, gerenciando a página Paulo Bregantin e o Grupo Psicanálise Integrativa.

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