por Andrea Pavlovitsch

Abaixo o sofrimento!

Uma vez, na minha terapia, ouvi uma frase maravilhosa: você tem créditos com o Universo. Isso mudou muito a minha maneira de ver as coisas. Confesso que, naquele momento, eu não entendi direito. Entendi que eu tinha sofrido muito, feito muitas coisas boas e que eu, especificamente, merecia. Tinha gerado créditos com o meu sofrimento. Então, sim, eu estava merecendo.

Mesmo ouvindo essa frase, as coisas não mudaram. Achei que tinha entendido, então, por que eu não estava conseguindo resgatar esses créditos? Por que o amor não tinha chegado? Por que o dinheiro ainda andava tão escasso? Só o tempo mesmo para nos mostrar algumas coisas.

Hoje eu entendo que o que a terapeuta quis dizer foi que eu merecia. Só isso. Eu merecia só por ser eu mesma. Por existir e pronto. Os créditos eram de graça e, apesar de precisarem do meu esforço para serem resgatados, eram meus por direito de nascença. 

Entendi, então, porque as coisas boas não vinham. Claro, eu estava acreditando em permuta. 

Estava permutando com o Universo, dizendo a ele que certa dose de sofrimento valia um carro novo. E não é isso. O trabalho, o esforço que fazemos não pode vir do sofrimento. Aliás, esse tipo de esforço sofrido não conta pontos. Nenhum ponto.

Ah, mas e as pessoas que sofrem anos, pegando ônibus lotados, trabalhando como escravos para conseguir algo? Então, a diferença é essa. Todo mundo conhece uma história de sucesso de alguém que veio de baixo, muito de baixo e montou um império, por exemplo. Aquela pessoa conta a sua história com orgulho e, percebam, sem nenhuma gota de pena de si mesma. Por pior que tenha sido, por mais esforço que ela tenha empreendido, ela não sofria. Isso porque, como dizia o poeta Carlos Drummond de Andrade: “A dor é inevitável. O sofrimento é opcional”.

Se para fazer algo que você julga importante, você está sofrendo muito, pare. Não é esse o caminho. Não estou falando de não se esforçar, mas de parar de sofrer. Se levantar cedo e pegar o ônibus para longe é muito sofrimento, mas você faz achando que vai ter uma recompensa, mude de estratégia. Quem sabe um emprego que pague menos, mas seja mais perto? Quando não existe sofrimento, as portas da prosperidade começam a se abrir de verdade.

Sofrimento é errado. Os únicos sofrimentos inevitáveis são das pessoas moribundas, que estão caminhando para a morte de uma maneira ruim – e não nos cabe julgar o porquê disso. O resto são só escolhas que podemos ou não fazer. E, quanto menos escolhemos sofrer, mais a prosperidade – financeira, amorosa, familiar – vai sorrir para nós.

Andrea Pavlovitsch

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Terapeuta porque adora ajudar as pessoas a se entenderem. Escritora pelo mesmo motivo. Apaixonada por moda, dança, canto e toda forma de arte. Adora pão de queijo com café e não pretende mudar o mundo, mas, quem sabe, uma pequena parte da visão que temos dele.