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por Andrea Pavlovitsch

Ainda dá tempo...

É novembro. O mês está no começo, mas o ano está no final. Mais uma vez estaremos diante das luzes de natal, das promessas de ano novo, das datas comemorativas. Do karaokê da firma, dos amigos secretos e as dívidas do começo do ano. Tudo novo. De novo e de novo.

O tempo vai lá e passa. Ele não quer saber. Não quer saber se você está cansada e decidiu ficar o dia no sofá, ele passa. Aquele dia não existe mais. O compromisso perdido, perdido está, talvez para sempre. A palavra não dita talvez tenha uma segunda chance, talvez não. Um dia você acorda e tem 40 anos, 50 anos, 70 anos. Um dia você se toca que tinha um monte de coisas que simplesmente “não deu tempo” de acontecer.

E aí, faz o que? Estou assistindo um seriado chamado “GraceFrankie” na Netflix. Lá duas senhoras de mais de 70 anos (uma delas, a belíssima Jane Fonda) são abandonadas pelos seus maridos que decidem se casar entre eles e assumir um caso de mais de 30 anos. Elas se veem sozinhas, precisando recomeçar a vida depois dos 70. O mais interessante é ver todas as coisas que acontecem: novos começos, novos relacionamentos, sexo, amor, novos trabalhos, temas cascudos como a eutanásia e até uma cena hilária (uma das primeiras da série) onde Frankie toma um chá alucinógeno para empurrar um relaxante muscular (sério, é de rolar de rir).

O mais interessante é ver como dá para recomeçar. Como é possível ser e ter todas as coisas que queremos, mesmo que o tempo tenha passado. Sim, às vezes precisamos só entender que não dá naquele momento. Que não é porque você tem tal idade que aquela coisa acontecerá ou já deveria ter acontecido na sua vida. Pode ser que você simplesmente não tivesse maturidade para tal. Pode ser que você não estivesse preparado e então, a vida não te dá! E isso serve para nós entendermos os nossos limites e pararmos de se comparar com todo mundo, principalmente aqueles meninos de 25 anos que já tem milhões ou coisas assim.

Não dá, a vida não é assim! Ela é do jeito dela e às vezes as coisas vem tarde mesmo, na maturidade. Pode ser qualquer coisa, desde um filho (um beijo para minha prima que pariu o David aos 45 anos em uma gravidez natural), um novo trabalho nada a ver com o que você fez antes, uma nova família ou um novo animal de estimação. Não perca as suas chances porque dizem que não dá na sua idade. Porque a médica te mandou fazer mamografia por causa da idade ou porque “fica chato” usar isso “nessa idade”.

Quer uma saia curta? Compre! Quer saltar de paraquedas? Perder peso? Colocar silicone? Qual é mesmo o problema? Vamos parar de nos limitar e culpar a idade por isso? Vamos entender que os nossos processos internos são só nossos e nada está escrito como um plano de vida e sim capítulos que precisam ser degustados um a um?

Eu recomendo assistir esse seriado e depois rever o que você anda adiando demais na vida. Depois o que você desistiu por causa da sua “idade”. Sempre dá para correr atrás, mesmo que seja de um jeito diferente. Então, não vamos nos sentar e esperar a vida passar, ok? Chega disso. O nosso tempo é sempre curto. 70 anos passam rápido, pode agrace anreditar!

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Andrea Pavlovitsch

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Terapeuta porque adora ajudar as pessoas a se entenderem. Escritora pelo mesmo motivo. Apaixonada por moda, dança, canto e toda forma de arte. Adora pão de queijo com café e não pretende mudar o mundo, mas, quem sabe, uma pequena parte da visão que temos dele.