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por Andrea Pavlovitsch

É preciso saber viver

Soube hoje do falecimento de uma menina de 34 anos. Bonita, inteligente, especial. Foi uma cliente (e quem disse que nós não nos envolvemos?) e, pelas sincronicidades da vida, uma das melhores amigas de duas primas minhas (elas nunca souberam disso).

Ela não tinha problemas sérios. Ela veio até mim para aprender a lidar com algumas questões de trabalho, entender melhor isso e mais algumas coisas que poucas sessões resolveram. Lembro que era esperta, muito inteligente e meio inconformada com o mundo em que vivemos. E quem a culparia? Temos problemas demais aqui e reclamamos o tempo todo. Mas continuamos com as nossas vidas estagnadas, presas em nossas zonas de conforto, até que alguma coisa assim acontece e nós decidimos mudar.

Lapso no tempo: comecei a escrever este parágrafo no dia da morte da moça e isso faz quase 3 meses. Retomo a escrita aqui e explico porque é importante a passagem do tempo.

Sinceramente, a notícia mexeu demais comigo. Não tínhamos uma ligação longa, mas o fato de ver alguém tão jovem não ter concluído alguns (ou muitos, quem sabe) dos seus sonhos mexeu comigo. Sei que ela conquistou coisas bacanas, incríveis. Sei que ela tem uma família que a ama (sim, porque o amor não acaba porque a pessoa passou para um estado diferente de vida) e que era feliz. Mas comecei a pensar em mim.

No fim do ano passado, quando aconteceu a passagem dela, eu estava péssima. Estava sob forte estresse. Não estava cuidando nada bem de mim, estava cansada, fraca, deprimida. Trabalhando horrores e, mesmo assim, sem ver resultados concretos dos meus esforços. Queria um monte de coisas mas entrei em uma zona de conforto de casa-consultório/ consultório-casa que estava me deixando louca. Eu não conseguia pensar, estava super sensível a qualquer coisa e talvez até por isso super sensível à notícia. Não consegui ir à cremação, não tive forças. Admito que fraquejei.

 

Mas, o tempo passou. E nestes três meses mudei quase que completamente a minha rotina. Tirei duas semanas a mais de férias (fora das semanas do natal e ano novo). Reestruturei os meus sonhos. Elaborei metas, mudei minha rotina e muitos dos meus hábitos. Estou na academia quatro vezes por semana, me joguei no Projeto Minissaia (do meu blog) para melhorar o estilo de vida. Como legumes em todas as refeições e bani os carboidratos simples. Em peso, eliminei três quilos. Na cintura diminui 9 cm! E ontem foi a superação máxima: um passeio de bike de 15 quilômetros em São Paulo.

Quero ser diferente. Algumas das coisas que eu sou estava e estão fazendo bem, ótimo, mantive. Mas o que não estava eu bani, mudei, transformei. E precisei de muita coragem porque sempre dá medo de se meter em coisas novas. Hoje, por exemplo, depois de 15 km de bicicleta, eu estou com mais dores nos ombros do que nas pernas. Isso porque passei o percurso toda tensa, preocupada e com medo. Mas superei e estou feliz, extremamente feliz com isso.

Reveja suas prioridades. Quem é a principal fonte da vida? Sim, você. Sem você não existe mais nada. Não existem filhos, marido, clientes. Não existe o chefe chato, não existem as contas do banco. Se você não estiver presente e bem nada disso fará nenhum sentido. É, de novo, como o exemplo dos aviões. Se a cabide despressurizar, eles pedem que você primeiro coloque a máscara em você e depois nos outros. Como vai ajudar alguém se não estiver bem. É disso que eu estou falando e foi por isso que eu mudei e quero mudar mais ainda. A vida passa muito, muito rápido. Não deixe seus sonhos escaparem de você. Não estacione na zona de conforto. Ande, caminhe e seja realmente feliz. Você não tem ideia de quanto tempo ainda tem por aqui. Ninguém tem! Alarmista? Talvez. Realista? Com certeza. 

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Andrea Pavlovitsch

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Terapeuta porque adora ajudar as pessoas a se entenderem. Escritora pelo mesmo motivo. Apaixonada por moda, dança, canto e toda forma de arte. Adora pão de queijo com café e não pretende mudar o mundo, mas, quem sabe, uma pequena parte da visão que temos dele.