por Andrea Pavlovitsch

Disciplina

Hoje no caixa da padaria ouvi uma conversa engraçada. Uma moça de seus 20 e poucos anos dizia que estava sim com vontade de fumar, coisa que ela não faz a dois meses, desde que virou o ano. Ela segurou na mão da amiga e disse você: me ajuda e eu te ajudo, não vamos perder a disciplina. Fiquei pensando nessa historia. Confesso que nunca fui a mais disciplinada das criaturas. Pelo menos, não para as coisas que não me interessavam como arrumar o quarto quando era criança. Minha mãe passou anos atrás de mim tentando fazer com que, como toda a adolescente, eu ajudasse em casa, fosse à escola regularmente e tudo mais. Uma busca inútil, porque não são as mães as responsáveis ou não por estas coisas.

Claro que educação é importante e na educação também entra a disciplina. Detesto ver aquelas criança insuportáveis no shopping, cujas mães juram que serão felizes se fizerem tudo o que quiserem. Nunca ouviram um sonoro não na vida e, quando escutam, fazem um escândalo tão grande que acabam conseguindo o que querem dos pais. Não sem pagarem o preço de não saber viver com a realidade e com as pessoas que, quando elas crescerem, não vão estar nem aí se elas estão ou não acostumadas aos nãos da vida.

Mas, enfim, um dia a gente aprende que, para ter o que queremos, precisamos dela: a disciplina. E aprendemos isso de muitas maneiras. Ou pelo chefe que não perdoa as nossas faltas, ou pelos quilos a mais na balança, ou pela completa falta de sucesso profissional. Um dia ela cobra o seu preço e nos pede, encarecidamente, que cuidemos melhor da gente.

É isso. Disciplina nada mais é do que sabermos cuidar da gente. E gostar muito disso. Ninguém que não se ama é muito disciplinado. Basta ver a Sheila Carvalho, 11 quilos mais magra e linda nos desfiles de carnaval, depois de perder seu filho. Ou Carolina Dickmam, 20 quilos a menos depois de uma gravidez regados a comida a vontade e fotos de paparazzo que nos faziam desconfiam de que era realmente ela ali. Estou falando de estética e saúde, mas existem muitos e muitos exemplos. Família Diniz, Antônio Erminio de Morais que, até hoje, acorda as 5 da manhã todos os dias. Não adianta: para ter saúde e sucesso é preciso disciplina. E amor próprio.

E isso não quer dizer sacrifício. Sacrifício, na verdade, é não se estar onde se quer. É carregar estigmas de fracasso e insucessos sucessivos na vida. É sacrificar o que você poderia tirar da existência. E a disciplina não é a mesma coisa para todo mundo. Algumas pessoas precisam trabalhar a noite, ou acordar mais tarde para renderem mais. Algumas pessoas não precisam controlar a alimentação e outras sim. Cada um precisa primeiro, de muito autoconhecimento, para saber o que é bom e o que não é para si mesmo.

Se descobrir e investir no que você é e no que você quer de verdade. Quando descobrimos isso, dá um gosto. E dá mais gosto ainda ver os resultados depois. O salário aumentando, o peso diminuindo, as dívidas sendo pagas. Por mais que a gente fale em prosperidade, muito da nossa vida só precisa de organização e disciplina. Às vezes, as respostas para os nossos problemas são tão simples assim, como separar o que usamos e o que não usamos, estabelecer horários e dias para as coisas que queremos fazer e nunca, nunca mesmo, achar que precisamos fazer nada. Sempre, sempre, queremos e só fazemos porque queremos.

No dia em que não quisermos mais, vamos parar de fazer e mudar de planos. Isso é simples falando, mas colocar isso em prática não é tanto. É necessário pensar muito bem em si mesmo, pensar no que se quer de verdade e se priorizar acima de qualquer coisa. Esta é a mágica real que traz as coisas para a gente.

Disciplina não é nada militar. É mais da alma e do coração do que poderíamos imaginar.

Andrea Pavlovitsch

+ artigos

Terapeuta porque adora ajudar as pessoas a se entenderem. Escritora pelo mesmo motivo. Apaixonada por moda, dança, canto e toda forma de arte. Adora pão de queijo com café e não pretende mudar o mundo, mas, quem sabe, uma pequena parte da visão que temos dele.