por Selma Godoy

Instintos de autopreservação

Sabemos que nossa mente tem natureza dupla, consciente e inconsciente. Na área da neurologia, o homem está familiarizado com o funcionamento dos sistemas nervosos voluntários (consciente) e involuntários (subconsciente).

Cientistas do comportamento demonstraram que a mente subconsciente pode ser condicionada para reagir a estímulos conscientes. O subconsciente é onde armazenamos todas os aprendizados, hábitos, criatividade e instintos, enfim é nosso banco de memória. Se for condicionado (pela repetição de atitudes conscientes), ele não questiona uma ordem dada pelo consciente e a executa prontamente. (vide artigo “Treinando seu subconsciente para obter sucesso”).

Os instintos, a priori, são predisposições inatas dos seres viventes que tem a finalidade de autopreservação e conservação da raça humana. É um tipo de inteligência no seu grau mais primitivo, que guia o homem nas suas ações. São eles: Os instintos de sobrevivência, o instinto materno ou de posse, de nutrição, desejo sexual, competição, agressão, altruísmo, nossa busca por conhecimento e nossa necessidade de transcendência, ou conexão com o divino.

Quando mal orientada, é a causa de todas as neuroses humanas revelando-se na explosão de agressividade, violência e intolerância. Em harmonia com a mente e com a alma - elo de conexão com o espírito - traz a possibilidade da expressão plena da individualidade, através de seus talentos e dons.

Em civilizações como a egípcia, a romana e a grega, os animais representavam nosso lado instintivo. Cultuavam-se divindades que eram metade humana e metade animais, demonstrando sua importância na condução de nossas vidas.

No xamanismo, evocam-se os instintos através da figura do “animal de poder” e seus arquétipos que são manifestações de forças interiores. Um animal seria um símbolo de uma composição de características que emergiriam de nosso subconsciente reforçando aspectos que estariam represados em nós. Por exemplo, a zebra ao ser evocada representaria as qualidades de destaque e diferenciação. A raposa seria a esperteza, astúcia e sutileza.

Ao evocar estas forças interiores fortalecemos nossa saúde física e obtemos maior disposição, dinamismo, prontidão e realização em todos os aspectos da vida.

A pessoa obtém visão clara das coisas, seus sentidos ficam aguçados nos negócios e nos relacionamentos. Diante de contrariedades e incidentes, revela-se mais equilibrada, segura e objetiva. É comum se tornar espontânea e incrivelmente espirituosa em situações que lhe trariam dissabores e constrangimentos, como quando somos confrontados por pessoas invasivas e/ou agressivas.  

Na próxima semana, vamos continuar este tema com a prática de evocação do “animal de poder”. Até lá!

Selma Godoy

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Terapeuta de Aconselhamento. 20 anos pesquisando Espiritualidade, Comportamento e Psicologia.