por Selma Godoy

Egoísta ou bem resolvido?

No processo de amadurecimento o homem vem ampliando sua visão “global” do universo para obtenção da consciência de sua individualidade. Enquanto concebia a Terra como centro de tudo - visão geocêntrica do universo - ele como único ser pensante, era o centro do mundo. E fazia sentido naquele momento!

A visão de um contexto global ampliado lhe trouxe um novo parâmetro para uma melhor acomodação e encaixe dentro de uma nova perspectiva.

O desenvolvimento de nossa consciência foi se afunilando, mas simultaneamente se aprofundando, da consciência tribal para a individual. Por este motivo, nossas instituições estão se deteriorando, em função do enfoque e transformação de nossas consciências. Tudo está mudando em uma velocidade jamais vista e a globalização tem sido fundamental para a agilização de todo o processo revolucionário que o universo requer.

Sem dúvida, nas próximas décadas estaremos vivenciando situações totalmente diferentes de tudo que jamais vivemos e imaginamos. Os filmes de ficção estarão sendo “rodados” diante dos nossos olhos, assim, como no passado as visões proféticas falavam - de uma forma figurada - da realidade atual.

No aspecto individual, quem não enxerga as circunstâncias acaba por se postar de uma forma infantilizada e “egocêntrica”, ou pessoal, no ambiente em que vive. Embora, assim como todos os conceitos – tudo que aprendemos merece uma reavaliação – aquilo que se convencionou chamar de egoísmo sofreu deturpações.

O “eu centrado” é o indivíduo que percebe quando se utiliza do “papel social” para melhor administrar situações e intercala os papéis com facilidade

Ainda que as definições possam se confundir e se alterar, o que se denomina egoísmo ou egocentrismo, que é o ser de visão “curta”, infantilizada, ou o “mimado”, é aquele que vê as coisas no âmbito “pessoal”, pois se sente afetado por situações que necessariamente não tem a ver consigo. Ele não percebe que o outro tem aquele modo de lidar com as coisas da vida dele.

Só o que ele necessita ou quer é que há de ser considerado. Ele não enxerga no âmbito coletivo, ele quer que as coisas andem de acordo com os seus interesses e não aceita os mecanismos da vida, pois fazem parte de uma lei cósmica que afeta toda a coletividade. É controlador e reativo, o famoso “bateu, levou”, não há espaço de consciência entre a atitude do outro e a sua.

Acaba sendo um queixoso e exigente, e a rigidez de suas posturas provocam hipertensão, impotência e doenças advindas do estresse.

O “eu centrado” – que é mal interpretado e confundido com o egoísmo – é o indivíduo que age pelo seu próprio sentir, é o sujeito assertivo ou proativo. Tem uma visão ampla de contexto, percebe bem suas responsabilidades, seus anseios e seu foco é em si e é impessoal.

Percebe quando se utiliza do “papel social” para melhor administrar as situações e intercala os papéis com facilidade, de acordo com sua conveniência. Por exemplo, o vendedor que sabe como agir, tem ética e habilidade para a melhor negociação e do favorecimento da melhor aquisição para seu cliente, e assim sempre é reconhecido.

Tem um autoconceito positivo, reconhece-se, respeita-se e não se confunde com aquilo que esperam dele.

Socialmente, considera-se o indivíduo que age por interesse, um egoísta, o que é absurdo. Pensar que alguém possa agir em plena consciência sem ter interesse naquilo que busca.  Concluindo, quem age guiado pelo prazer de realizar coisas que são “de suas circunstâncias”, isto é, que lhe afetam, acaba, invariavelmente, colaborando com a sociedade.

Selma Godoy

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Terapeuta de Aconselhamento. 20 anos pesquisando Espiritualidade, Comportamento e Psicologia.