por Selma Godoy

Deixa fluir que tudo sempre acaba bem

Hoje, vamos falar da Segunda Lei Cósmica que é a Lei da Transformação. A mudança ou transformação é um processo contínuo de perdas e ganhos, no qual coisas que existem, desaparecem e outras surgem no lugar. Podemos ver isso, claramente, nas situações comuns do dia a dia, em que a cada momento os afazeres, as circunstâncias e os personagens, se alteram. Tomamos nosso café da manhã, satisfazemos uma necessidade e daqui a pouco outro interesse, por um motivo ou por outro, nos toma a atenção e a energia, e assim por diante. Podemos ser conscientes ou não das mudanças que ocorrem, mas não há como evitá-las.

Ainda, esta lei é demonstrada no ambiente em que vivemos. O vai e vem das ondas do mar, as marolas que movimentam as águas doces, os ventos, as erupções vulcânicas, as estações do ano, as fases da lua, o alvorecer e o pôr do Sol. Tudo é movimento, tudo funciona por períodos e em ritmos próprios, tudo tem suas variações de frequência, tudo tem seu momento e prazo de validade. 

Este mecanismo envolve processo, criação, destruição, invenção, renovação, evolução, expansão e aperfeiçoamento.

A transformação que ocorre no tempo cronológico é um fator fundamental de consciência. A única realidade é o presente. Viver sem consciência significa “não existência”.  O passado e o futuro só existem na imaginação. O que aconteceu no passado, remoto ou não, é uma interpretação que fizemos da realidade. O futuro, uma fantasia.

“Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”, Lavoisier, o pai da química moderna, deduziu de suas observações científicas uma verdade universal. Quanto mais lúcidos a respeito do processo imposto pela vida, melhor podemos nos colocar diante de tudo aquilo que nos afeta.

O que é negativo nos aflige se não percebermos seu aspecto transitório. Aquilo que considerarmos imprescindível, portanto, positivo, nos provoca o medo de perder. O risco é inerente ao fluxo da vida.  No controle não há sossego.

Este conhecimento pode nos induzir a inúmeras reflexões para a vida prática:

1. Para que a vida não seja motivo de sofrimento a melhor atitude é o DESAPEGO. Ser desapegado significa aceitar a natureza. Não querer ser “Deus” e querer que as coisas sejam “do seu jeito”. Afinal, a vida tem razões que nossa “razão” desconhece.

2. ROTULAR o que se passa é criar ilusão. O melhor é esperar para ver. Várias lendas “zen” falam deste tema de uma forma muito simpática.  Uma delas conta que um mestre zen foi obrigado a cuidar de um bebê por ter sido vítima da calúnia de uma jovem mãe. Diante da indignação e da raiva, e até mesmo diante da descoberta do verdadeiro pai, sua única atitude era pronunciar a frase: “É mesmo?”.

Este pequeno conto nos mostra que a “não resistência” é sinal de sabedoria. Conforme nas artes marciais se utiliza da força do inimigo a seu próprio favor.

3. É interessante observar: Nada do que aconteceu foi como imaginamos, portanto, o futuro também não será o que esperamos. A atitude mais equilibrada é: viver bem com aquilo que se tem. As coisas mudam, tem sempre prós e contras. E a postura de “viver por viver”, de bem com a vida, dá bons resultados. Primeiro, porque não se está no lugar de vítima ou implicante, que resulta em “problemas”. Segundo, porque conforme as palavras de Jesus: “Àqueles que têm, lhes será dado”. 

Selma Godoy

+ artigos

Terapeuta de Aconselhamento. 20 anos pesquisando Espiritualidade, Comportamento e Psicologia.