por Andrea Pavlovitsch

O amor dos bichos de estimação

O réveillon foi outro dia, mas eu só pensava em uma coisa: como não deixar a minha shitzu, de apenas 4 meses, assustada com os fogos? Resolvi pesquisar na internet uma solução e infelizmente não encontrei nenhuma. Ao invés disso, achei uma página mostrando o estrago que os fogos fazem nos cães e gatos, principalmente os cães. 

Alguns se machucam feio. Perfuram o ouvido, enlouquecem. Alguns se jogam de edifícios com medo, muito medo. Um saiu por uma janela, quebrando o vidro e perdendo uma pata no caminho. Alguns simplesmente morrem, literalmente, de medo. 

Ao lado das fotos, os relatos assustados e deprimidos dos seus donos. Pessoas que cuidaram do bicho com carinho, mas que o perderam por conta de uma coisa que é quase incontrolável. Algumas cidades, como Campos do Jordão, no interior paulista, já eliminaram os fogos das suas festas. Mas isso é muito pouco. 

Eu fiquei péssima. Assustada, com medo. Na hora da virada, ao invés de somente olhar os fogos, a peguei no colo e a protegi. Abracei, deixei que ela se sentisse o mais confortável possível. Ela não sofreu nada, mas foi um medo danado. 

Os animais são amor puro. Mesmo aqueles que nos machucam, na realidade, estão tentando se proteger. Até o meio deste ano eu tinha uma gatinha. O nome dela é Lorelai e eu a amo demais, mas ela não se acostumou ao meu apartamento. Era de rua, queria sair e era impossível. Ela começou a ser muito arisca comigo, atacava as pessoas em casa. Apesar do grande amor que sinto por ela, senti que ela precisava de um lugar maior para viver. Consegui uma casa de uma moça que ama gatos e já teve muitos. Eu só doaria se fossem nessas condições, senão encontraria outra solução. Mas ela adorou, vive com essa nova família, tem espaço, sol e está muito feliz. 

O que eles nos dão é cura. É amor na forma mais pura. É aquele amor que não teremos de mais ninguém, o único e verdadeiro amor incondicional. Não esperamos nada do nosso bichinho: que ele se forme na faculdade ou que seja uma pessoa de bem, e eles não exigem nada da gente. Mesmo um morador de rua, que divide o seu quase nada com eles, é amado. Eles não ficam por comida ou roupas da moda. Eles ficam, e cuidam de nós, por amor. 

Então, é aquela coisa que te alivia. Chegar em casa e ver a minha pequena, e antes com a Lorelai, é um alívio. Todos os problemas ficam do lado de fora da porta. É aquela coisa quente e familiar. Cada momento é sempre especial. 

Só adote um animal se tiver mesmo condições, físicas, psicológicas e financeiras, mas adote. É uma alegria e um bálsamo para as nossas vidas. 

Andrea Pavlovitsch

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Terapeuta porque adora ajudar as pessoas a se entenderem. Escritora pelo mesmo motivo. Apaixonada por moda, dança, canto e toda forma de arte. Adora pão de queijo com café e não pretende mudar o mundo, mas, quem sabe, uma pequena parte da visão que temos dele.