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por Ellen Mützemberg

Reflexão de uma senhora que não sei o nome

Era uma segunda-feira. Dia típico pra todo mundo reclamar que tem que acordar cedo, tem que ir trabalhar, tem que pegar condução, tem que enfrentar o trânsito, o dia que podia ser sexta-feira... Resumindo, era o dia das reclamações.

Eu acordei não reclamando, mas pensando que poderia continuar dormindo ou que ainda podia ser fim de semana. Levantei, vesti um jeans clássico, uma camiseta branca e uma jaqueta de malha. Estava friozinho às 9h da manhã. Tomei café, coloquei meu tênis e peguei o caminho de toda semana, pelo menos de toda segunda a sexta. Eram 10h10 quando peguei o primeiro ônibus a caminho do estágio, dia normal, friozinho com um sol pra fingir que estava esquentando. 10h25 peguei o segundo ônibus, tenho sorte da condução que eu pego ser rápida e passar em intervalos de 10 ou 15 minutos. Indo para o estágio, fiquei pensando novamente no fato de ser “segunda-feira” e de que eu teria que enfrentar mais um dia de rotina, mais uma semana de cinco dias a ser encarada.

Cheguei ao estágio, dei bom dia para o porteiro que sempre me recebeu com um sorriso feliz na cara, entrei no elevador e uma senhora entrou comigo. Olhei pra ela, vendo que ela estava animada e falei algo do tipo “mais um dia né?”, a senhora me olhou e começou a falar uma relação de coisas:

- Minha filha, a gente tem que agradecer todos os dias a Deus por nos permitir levantar da cama com saúde, poder mexer as pernas, abrir os olhos e ver as cores do mundo, os movimentos, devemos agradecer por termos um lugar todos os dias para ir, temos que agradecer a oportunidade que Ele nos dá de poder tentar de novo e de novo até conseguir a vitória meu bem. – e eu continuei encarando-a enquanto o elevador subia. - A vida é muito curta para não ser vivida e ficar perdendo tempo em só reclamar, então agradeça e pense em quantos milhares de pessoas queriam estar no nosso lugar assim, com boas roupas para não passar frio, com um teto para nos proteger da chuva, com dinheiro no bolso mesmo que seja apenas R$ 2,00. Hein? Já pensou que nossa vida poderia ser muito pior? Então minha amiga, apenas agradeça pela vitória e a benção de vida que você tem, pois nunca sabemos o dia de amanhã!

Honestamente fiquei sem reação. Aquela senhora estava certa, ela tinha razão, saímos do elevador no mesmo andar, ela foi para o consultório de dentista que fica de frente com o escritório onde eu trabalho. Apenas consegui dizer “é verdade, o povo reclama muito, só sabem dar valor quando perdem o que tem; bom dia pra senhora!”. Entrei no escritório, bati o dedo no ponto, sentei na cadeira da minha mesa e liguei o computador, pensativa, fiquei ‘martelando’ aquelas palavras que a senhora dizia para mim no elevador. Respirei fundo e analisei a situação e pude constatar que realmente, reclamamos de tudo, nunca nada está bom e nós não sabemos disso até o dia em que perdemos toda essa “mordomia” ou quando alguém como essa senhora aparece por um pequeno momento na sua vida e te dá um “chacoalhão” com um tapa na cara para você acordar e apenas pensar e dizer: Obrigada Deus!

O nome da senhora? Esqueci de perguntar, mas com toda essa lição, apenas concordo e afirmo o que ela me disse: A vida é muito curta para não ser vivida e ficar perdendo tempo em só reclamar.

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Ellen Mützemberg

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Estudante de jornalismo, apaixonada pela leitura e por consequência disso, acaba tendo uma coleção de livros. Nas horas vagas procura tirar fotografias. O que não pode faltar em sua bolsa e no seu dia a dia é um bom livro.

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