por Aline Carnicelli

Religião x Espiritualidade

Essa semana tive uma discussão sobre religião, por favor, não sigam meu exemplo, isso é a coisa mais ridícula que eu já fiz, mas meu pavio é curto e eu acabei me descontrolando.

A questão é que o meu descontrole não aconteceu para provar para alguém que a minha religião é melhor do que a outra, como vejo acontecer muito por aí, mas sim porque acredito que espiritualidade não é uma coisa que cabe na religião. Pode até parecer estranho o que eu disse, mas é exatamente isso, quer ver só?

Segundo o dicionário etimológico a palavra religião vem do latim religare que significa religar, ou seja, o objetivo é religar-se a Deus, seja lá qual for o Deus ou a Deusa, ou quais forem os Deuses ou Deusas cultuados por você, acontece que em algum momento alguém transformou as religiões em uma coisa muito quadradinha, cheio de regras e conceitos e na minha opinião, a espiritualidade é uma coisa muito maior que não se encaixa nessa visão.

Antes que me julguem concordo sim que para que funcione, a religião precisa de regras, o que eu discordo e que me dá úlcera é o fato de que a espiritualidade, essa não precisa e nem deve ter regras.

Quando entrei na umbanda ouvia de muitas pessoas que a umbanda era a única religião que era aberta a pessoas de outras religiões, que a umbanda não fazia diferença entre as pessoas, etc, e eu na minha inocência achava tudo muito lindo. Com o passar do tempo fui percebendo que a coisa não era um mar de rosas como eu pensava, e comecei a ver que como em tantas outras religiões o ego em muitos umbandistas e principalmente em dirigente espirituais era muito maior do que a espiritualidade, comecei a perceber que em muitos terreiros o conhecimento era passado somente há alguns, e procurar conhecimento fora era um tabu, percebi também que havia sim diferenças, e muitas vezes entre os próprios médiuns, um querendo ser melhor que o outro, mas o que mais me incomodava era ouvir coisas como: na umbanda não se faz isso, ou na umbanda não se faz assim, na umbanda não pode isso, na umbanda não pode aquilo, na umbanda não existe tal linha de trabalho, ora, a umbanda não se formou pegando um pouquinho de cada religião? A defumação não é uma prática católica adotada pela umbanda? O culto aos orixás não veio das religiões afro? Então por que de repente nada mais pode na umbanda? Por que de repente colocaram a umbanda em uma caixa onde o conhecimento não pode evoluir, onde não posso unir outras práticas espirituais ao meu trabalho de umbanda, onde não posso fazer um curso e aprender sobre a religião que escolhi, por que duvidar do trabalho do irmão só porque ele recebeu o conhecimento do alto e passou para frente?!

Gente, espiritualidade não cabe nessa caixa. Aprendi uma coisa com um guia espiritual que me disse: “Pare de olhar só até aonde o braço alcança, abra o olho para o espiritual”, e é assim que a coisa funciona, ou as pessoas são muito prepotentes de achar que sabem tudo sobre espiritualidade, ou as pessoas estão muito acomodadas, dizer que tudo é tradição é comodismo, é muito contraditório que a grande maioria das casas de umbanda prezem tanto pela evolução do ser e ao mesmo tempo batam na tecla de que tudo é tradição, se estamos aqui para evoluir, porque cargas d’agua o conhecimento tem de ficar estagnado?

Realmente é uma coisa que não entra na minha cabeça.

Eu uno sim práticas espirituais ao meu trabalho de umbanda e ele flui maravilhosamente bem, eu estudo, faço cursos e busco informações em livros sim, porque os filhos da minha casa merecem ter conhecimento e evolução.

Diante disso fica aqui o meu agradecimento ao meu Pai e a minha Mãe santo que tanto me ensinaram e continuam me ensinando, aos mentores que me acompanham nessa jornada e especialmente ao Pai Rubens Saraceni que não teve medo de passar conhecimento e informação, mas que agora nos ensinará do lado de lá.

A cada um só posso dizer gratidão.

Aline Carnicelli

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Formada em comunicação social, começou a se interessar por espiritualidade ainda muito nova. Hoje tem um espaço esotérico onde trabalha como terapeuta holística.
É mestre de reiki, consultora feng shui e dirigente espiritual de um templo de umbanda.