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por Andrea Pavlovitsch

Sonhos – não desista deles

Outro dia realizei um sonho. Um sonho pequeno e bobo: ter uma cama enorme, daquelas de hotel, supermacia. Sabemos que esse tipo de utensílio não é dos mais baratos, não é algo que compramos numa voltinha no shopping. E quando ela chegou eu estava tão feliz e radiante como uma criança que ganhou um brinquedo novo. 

Descobri só então que isso era um sonho. Assim como descobri que cobrir meu diastema com dentes de porcelana também era um sonho. E conseguir comprar uma autêntica mala de trabalho da Victor Hugo com o meu trabalho. Sim, eu sei, são sonhos de consumo. Claro que não são os únicos, são os menores, na realidade, mas ainda assim me deixaram radiante. 

O meu problema, e acredito que o problema de muita gente, é saber quais são os meus sonhos (tenho a mesma dificuldade quando me perguntam qual é a minha fantasia sexual). Cresci numa família que era contra sonhos. O xingamento predileto da minha mãe era: você é muito sonhadora. Não, a culpa não era dela, ela aprendeu isso na casa dela. Eram tempos difíceis para ela e para a família, e alguém sonhar o tiraria da realidade. Então cresci sem saber quais eram os meus sonhos. 

Leia mais: Sonhos podem se tornar reais?

Até que um dia eu ouvi uma palestra e a coach perguntou: quais são os seus maiores sonhos? Juro que demorei quase um mês só para entender o que diabos queria dizer aquela pergunta. Eu percebi que não sabia sonhar. 

Ainda não sei. Quer dizer, eu sonho, mas não sei dizer quando é um sonho ou não. E se temos dificuldade de sonhar imagine de realizar. Quando algo não é aceito dentro da gente, ele entra em um limbo chamado sombra. Assim, quando você vê alguém realizando aquilo, você reage. Você pode ficar com inveja, com raiva, ser crítica. Isso tudo te diz dos seus sonhos jogados de qualquer jeito no inconsciente. 

A melhor maneira de conhecermos os nossos sonhos é através do autoconhecimento. Quando conhecemos a nós mesmos, sabemos quais são eles. E não, não é porque todo mundo tem um sonho, que você precisa ter aquele sonho específico. Seus sonhos são só seus, mesmo que os compartilhe com alguém. 

Reflita sobre as imagens que você vê, as coisas que você escuta que te causam alguma reação. Alguns são mais fáceis de perceber, como os sonhos de consumo, mas os verdadeiros, os reais mesmo são mais complicados. Querer um filho, um casamento, um emprego dos sonhos é fácil. Mas qual é a mãe que você quer ser? Qual é o emprego dos seus sonhos? Qual é o parceiro ou a parceira ideal para você? Isso tudo exige tempo e capacidade de sonhar. Não jogue os seus sonhos pela janela, deixe-os sair para passear. Tenho certeza de que pelo menos a diversão de sonhar está garantida. 

 

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Andrea Pavlovitsch

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Terapeuta porque adora ajudar as pessoas a se entenderem. Escritora pelo mesmo motivo. Apaixonada por moda, dança, canto e toda forma de arte. Adora pão de queijo com café e não pretende mudar o mundo, mas, quem sabe, uma pequena parte da visão que temos dele.