por Andrea Pavlovitsch

Tempo, tempo, tempo, tempo...

Muito antes da música Tempo do Caetano Veloso ir parar na abertura da novela das 6 horas, com a belíssima voz da Maria Gadú, eu já amava essa música. Sempre fui fã de Caetano, justamente porque ele viaja nas suas canções e filosofa bastante. Aliás, ele é formado em Filosofia!

A coisa do tempo é interessante, porque ele pode ser seu amigo ou seu inimigo. E aqui vou falar do tempo nosso de cada dia, o tempo certo de 24 horas, 7 dias, 4 semanas, 12 meses... E por aí vai. Sempre percebi que quando não estou fazendo nada, perco mais tempo. Parece que ele passa mais devagar, mas não rende. E até descobri uma explicação científica para o fato, já que a percepção de prazer para o cérebro é mesmo mais rápida. Quando estamos numa situação complicada o tempo demora a passar.

Outro dia fiz uma tomografia computadorizada da mandíbula, para uma cirurgia que eu precisei fazer, os médicos colocam a sua cabeça dentro de uma máquina, te amarraram inteira e pedem para você não respirar por alguns segundos. Aquela posição é desconfortável, não pode se mexer de jeito nenhum e nem respirar. Mas, como o tempo demora a passar, poucos segundos se transformaram em horas que não acabavam mais. É a mesma coisa com qualquer coisa que cause dor, desprazer ou até mesmo tédio. Já com coisa boa, é bem diferente.

Comecei um curso novo de 1 hora e meia e passou em 5 minutos! Estava tão bom e eu não queria que tivesse fim. Mas, logo que entrei, acabou, interessante isso. Aquele ditado: se quer uma coisa bem feita, dê a alguém ocupado, é bem verdade. Quanto menos fazemos, menos queremos fazer. Quanto mais coisa, mais conseguimos agilizar o tempo e fazer tudo estar no lugar certo. 

Li uma reportagem com a Sarah Jéssica Parker, diva de cinema e mãe de três crianças, que disse isso. Ela faz uma lista com os afazeres do dia e consegue conciliar tudo. E não, ela não tem um batalhão de ajudantes. Ela tem duas babás, para o dia somente. O resto é mesmo com ela. Então tudo é uma questão de organização e de usar as chaves certas para os cadeados certos.

Tédio me dá depressão, me faz ficar mal. Gosto de ser ativa e rápida nas coisas que eu faço, mas preciso ter paciência com os outros, porque nem sempre as pessoas tem o meu ritmo. E para não pirar, é melhor não entrar na energia de ninguém.

Uma pesquisa uma vez me fez pensar nisso também, de entrar na energia de tempo dos outros. Dizia que mulheres que corriam junto com seus companheiros tinham mais lesões do que as que corriam sozinhas. Foram pesquisar e, bingo, as que corriam com os seus homens se forçavam a seguir o ritmo deles, e acabavam machucadas. Então, não adianta. É preciso seguir o nosso tempo, o nosso ritmo. Nem correr demais e nem ficar parada. Porque tudo o que não é usado, enferruja não é mesmo. A percepção é o tempo, na verdade. Ele nem existe. Einstein já disse isso há 50 anos atrás, se não for mais. O tempo é a maneira como vemos as nossas vidas, os nossos anos passados.

Teremos orgulho de chegar aos 70 se a nossa vida for rica e cheia das nossas aventuras. E teremos depressão aos 40 se percebermos que não estamos fazendo o suficiente, e aproveitando o nosso tempo, por nós mesmos.

Andrea Pavlovitsch

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Terapeuta porque adora ajudar as pessoas a se entenderem. Escritora pelo mesmo motivo. Apaixonada por moda, dança, canto e toda forma de arte. Adora pão de queijo com café e não pretende mudar o mundo, mas, quem sabe, uma pequena parte da visão que temos dele.