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por Andrea Pavlovitsch

Viva mais, idealize menos

E quem tem o privilégio de assistir TV no meio da tarde (ou infelizmente está doente ou coisa assim) pode ver que a Globo voltou a apresentar a novela “Caminho das Índias”. Eu não sou a maior fã de Glória Perez, mas depois do advento “Avenida Brasil”, confesso que sinto saudades destas novelas de culturas ou épocas diferentes. Juliana Paes, insuportável de linda, faz o papel de Maya, uma jovem indiana que se deixa levar por uma paixão e que, depois, acaba percebendo que o buraco é mais embaixo.

Pois bem, Maya, na língua indiana significa ilusão. E vários gurus indianos, incluindo meu querido Osho, que eu adoro, falam do véu da ilusão. O problema é bem simples: como é difícil lidar com a realidade, inventamos histórias. E a nossa cabeça (ou o nosso ego), é muito bom nisso.

Criamos as ilusões com relação a tudo: as pessoas, as situações, para o mal e para o bem. É como se a nossa criatividade sempre ganhasse do nosso bom senso. Mas não pense que o maya são sempre ilusões boas demais, elas podem ser ruins também. Podemos criar um pessimismo crônico, por exemplo. De que nada vai dar certo, de que Deus (ou o que você queira chamar como uma força interna) não existe ou, se existe, não se lembra da sua existência. Viramos aquela hiena do desenho animado, sempre pensando no pior que cada experiência pode nos trazer.

 

 

Isso complica tudo. Porque, se você acreditar em falta, em menos e se não confiar no seu taco - porque parte do princípio de que nada vai dar certo -  desculpe, mas é isso que vai acontecer. De verdade. São o que eu chamo de “profecias autorrealizáveis” e aqui entra também a autossabotagem. Ou seja, eu penso firmemente que “homem não presta”. Aí eu conheço um rapaz sensacional e eu faço de tudo, mesmo que inconscientemente, para acabar com a relação. Apareço na casa dele às duas da manhã para saber se ele não foi para balada; uso camiseta de eleição passada para dormir com ele; compro um conjunto de tapete e forro de privada cor de rosa para o banheiro dele, essas coisas. Ou seja, peço para o relacionamento terminar antes mesmo de começar (sim, estou sendo ridícula, irônica, mas é só pra ilustrar). Depois que o cara termina, porque me julga uma doida, eu reúno minhas amigas, compro uma tequila oro e lamento o quanto os homens não prestam. Entende? É mais ou menos isso.

Isso pode acontecer com qualquer coisa. Já vi negócios milionários desmoronarem por pura falta de atenção do proprietário. Já vi relacionamentos perfeitos virarem pó. E é público e notório o que as algumas pessoas fazem quando ganham na loteria: gastam tudo em menos de um ano e logo estarão pobres de novo.

 

 

Então, tirar o véu da ilusão é simplesmente ver as coisas como elas são, ou seja, neutras. Vou terminar com uma fábula muito interessante que gosto demais. Tire suas próprias conclusões:

“Havia um fazendeiro que tinha um cavalo e poucas vaquinhas. Um dia chegou um homem que deu a ele um cavalo. O vizinho invejoso foi logo soltando: “Que sorte, você ganhou um cavalo de graça”. E o fazendeiro respondeu “Não sei, quem sabe”. 
O cavalo que o homem ganhou precisava ser domado e seu filho foi tentar fazer isso. Mas o cavalo ficou alvoroçado e fugiu em disparada. O rapaz caiu do cavalo na fuga e acabou quebrando a perna. O vizinho de novo veio dizer: “Que azar, seu filho quebrou a perna e você perdeu o cavalo” . E o fazendeiro respondeu: “Não sei, quem sabe”. Dias depois um agente do governo aparece para recrutar rapazes para a guerra. Como o filho do fazendeiro estava com a perna quebrada, ele não foi recrutado. O vizinho de novo “Que sorte, seu filho não vai para a guerra”. E o fazendeiro respondeu “Não sei, quem sabe”. Ou seja, não interessa o que acontece. Tudo é sempre neutro e pode ser sorte ou azar, dependendo do ponto de vista”.

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Andrea Pavlovitsch

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Terapeuta porque adora ajudar as pessoas a se entenderem. Escritora pelo mesmo motivo. Apaixonada por moda, dança, canto e toda forma de arte. Adora pão de queijo com café e não pretende mudar o mundo, mas, quem sabe, uma pequena parte da visão que temos dele.