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por Andrea Pavlovitsch

Tempos de crise

Em tempos de crise internacional, assistir telejornal está terrível. Ou eles falam da alta do dólar, da crise dos EUA, da bolsa de Nova York ou de como caiu a produção. A palavra crise, pode reparar, é repetida à exaustão em qualquer noticiário. Fala-se só de crise, de guerra e de tudo que intoxica o ser humano. Sim, é tóxico. É como ficar exposto ao césio, ou a qualquer coisa bem tóxica, que extermina o corpo físico da gente. Começamos a ficar preocupados. Ao invés de dois, compramos só um litro de leite no supermercado porque se vier a crise. Ao invés de pensar em prosperidade só pensamos em crise.

Mas, como a vida é uma sucessão de contrariedades, na hora do comercial começam a falar das ofertas. O quanto as Casas Bahia vai dar de desconto só no dia seguinte. Como o carro da GM é ótimo e macio e você precisa ter um a qualquer custo. Com você tem que ser feliz, feliz, feliz, como se a felicidade se comprasse no supermercado. E você fica aí, prostrada no sofá pensando na morte da bezerra, porque simplesmente não sabe mais no que pensar. Eu decidi. Na hora do telejornal ou vou cuidar das minhas plantas. Vou ler um livro novo da Zíbia Gasparetto, ler sobre psicologia (minha paixão). Coloco um filme no DVD, qualquer coisa que não me faça ficar lá, exposta aquilo. E tenho certeza de que você deve estar pensando que eu sou uma lunática que não sabe o que acontece no mundo.

Não sou. Só não me exponho a uma dose excessiva das mesmas coisas. Sabe qual é a diferença entre o remédio e o veneno? A dosagem. Se tomarmos demais ele nos mata ao invés de nos curar. E a TV quer que fiquemos paradas em frente a ela engolindo tudo o que eles nos oferecem. Ah, chega de lixo. Tudo bem saber o que acontece, mas ficar louca com isso.? Minha irmã, que tem uma loja de lingerie, sentiu o movimento cair em 50%. Agora, na boa, metade das mulheres não está precisando mais de calcinhas? Ou elas só não estão comprando justamente porque têm medo que a crise chegue? E aí, o que acontece? A minha irmã não vende, manda a funcionária embora, a funcionária não compra mais de outros locais e aí sim, a crise chega. Tudo isso porque uma doida, que precisava de uma calcinha, ficou com medo de comprá-la depois de ver televisão!

O dinheiro é energia. E é para isso que ele serve, para ser gasto. Claro que precisamos de orçamento, de organização. Claro que precisamos saber o que e como estamos gastando e não cair de boca em promoções e prestações que estão lotadas de juros, juros este que só os grandes (que podem comprar jantares de cinco mil reais) ganham. Mas se deixar contaminar por medos alheios é ridículo.

Pense em como isso acontece na sua vida. Não somente com relação a dinheiro, mas com relação a qualquer coisa. Uma vez uma amiga minha ficou meia hora me contando como tinha sido horrível o assalto que ela assistiu lá na TV. O que o ladrão fez, como ele fez, como deve ter sido horrível para aquelas pessoas. Resultado: ela foi assaltada no outro dia também.

Tudo o que mandamos para o Universo, volta para nós. Se não de uma maneira, de outra. Que tal esquecer a crise e fazer como muito empresário que dizem veementemente que crise só existe do lado de fora. Vamos deixar os EUA colhendo o que plantaram durante todos estes anos e nos concentrar aqui. Na gente. Nas nossas coisas. No que é importante para nós. E confiar em Deus, em energia, em qualquer coisa que está no protegendo, quando usamos esta energia da proteção.

Menos TV. Melhor senso e mais alma. Sempre.

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Andrea Pavlovitsch

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Terapeuta porque adora ajudar as pessoas a se entenderem. Escritora pelo mesmo motivo. Apaixonada por moda, dança, canto e toda forma de arte. Adora pão de queijo com café e não pretende mudar o mundo, mas, quem sabe, uma pequena parte da visão que temos dele.