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por Erickson Rosa

Luto em tempos de pandemia

Estamos vivendo um dos tempos mais difíceis de nossa vida. Com o aumento de contaminações, muitas pessoas perderam sua vida, e talvez você seja uma das pessoas que perderam um ente querido. Este texto busca (se é que é possível) ser um alento para as pessoas que perderam alguém nesta pandemia. Falar sobre o luto, a perda e vida após a morte de uma pessoa que nos é amada faz-se necessário neste momento.

Morte

Margaridas brancas amassadas.

A morte faz, sim, parte da vida, é um fenômeno natural. Porém não queremos jamais perder alguém que amamos. Investimos nossa energia naquela pessoa e na relação existente. Quando perdemos, essa energia se direciona ao nosso interior, e isso faz com que fiquemos introspectivos e tristes. De maneira geral, tememos a morte por achar que tudo acaba, que nossa vida termina e que a pessoa que faleceu simplesmente desapareceu.

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Como não contemplamos a morte de maneira profunda, criamos uma série de defesas, como a negação. Negamos que ela existe e tocamos a vida acreditando que ela será para sempre. Esquecemos que todas as coisas são impermanentes e tudo tende a um final. Assim, não compreendemos a morte, e simplesmente a tememos. Mas podemos ter outra visão sobre isso.

A visão ampla

Mulher branca orando perto a um tumulo.

Sabemos que tudo na natureza sempre está em transformação Nós somos a natureza e, por isso, não somos exceção. Se observarmos com atenção, estamos em constante morte e renascimento, logo sempre nos modificando e transformando. Pense em como era sua vida 10 anos atrás, um tempo relativamente curto. Sua vida deveria ser muito diferente, com outras preocupações, com outras urgências. As coisa mudaram, e você mudou. Não é mais a mesma pessoa.

Ajude alguém a passar pelo processo do luto

A morte física também é assim. A pessoa não desaparece. Thich Nhat Hanh, mestre Zen e poeta, costuma a dizer que, se você se concentrar e respirar fundo, irá sentir que a pessoa que se foi ainda está em energia neste mundo. Ninguém desaparece, apenas se transforma. Claro que é o final de um ciclo – assim como você não é mais a pessoa de dez anos atrás, nosso ente querido que faleceu não está fisicamente conosco. Porém ele reside em nossas lembranças, e podemos dizer que na energia deste mundo.

Viver a tristeza

Homem branco olhando para o céu numa floresta.

Isso não significa que você não tenha que ficar triste. Isso é um direito seu. Ficar triste, viver esse luto, chorar até. Viva o seu luto da forma que precisa, pois isso o ajudará a seguir em frente. Porém podemos sentir a tristeza, mas não precisamos nos entregar a ela. A morte é um momento que precisamos contemplar, olhar profundamente para esse acontecimento, de uma maneira clara e que nos traga lucidez.

Desenvolver a lucidez perante a morte

Mulher branca de costas olhando balões.

A morte nos faz refletir sobre o propósito da nossa vida e a saudade e do amor que sentimos por quem se foi. Pelo tempo que passamos juntos e de como é breve esse tempo. Esse momento de encontro uns com os outros torna-se algo muito precioso. Não apenas esse tempo, como também o nosso tempo devida. Vale então a reflexão do que estamos fazendo com esse tempo.

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Realmente é triste perder alguém que amamos, mas esse é o ciclo de nossa vida. Aceitar a morte é valorizar a vida. Termos consciência de que tudo um dia acaba nos faz dar mais valor ao tempo que temos de nossa vida.

Faça seu ritual, passe pelo seu processo de perda. É um momento muito importante. Mas não deixe de refletir e de contemplar esse momento. A morte é o final de um ciclo, de um momento. Que possamos aproveitar e viver de verdade esse momento até que a impermanência nos atinja.

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Erickson Rosa

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Psicólogo clínico laureado pela PUCRS. Atende crianças, jovens e adultos. Palestrante sobre a temática do inconsciente.