por Vera Ghimmel

O flagelo da interpretação

Se você fizer uma experiência em que várias pessoas assistem uma cena de um filme e depois contam o que viram, ficará surpreso(a) com a quantidade de interpretações que ouvirá de todos eles.

É assim a nossa vida. Somos prisioneiros das interpretações que damos às nossas experiências. Se para alguns um acontecimento passa quase despercebido, para outros parece ser o fim do mundo, já notou? Então comece a refilmar a sequência de suas vivências até agora. Primeiro estabeleça que tudo que lhe aconteceu de bom e de ruim foi para que você se visse e se perdoasse. Sejam situações dessa vida ou de vidas paralelas, tanto faz, pois a sacola dos entraves estará com você mesmo.

Agora, visite um acontecimento seu bastante desconfortável e dê-lhe 3 interpretações diferentes. Escolha a menos desconfortável. Ainda lhe causa mal estar? Retorne ao acontecimento e volte a dar-lhe mais três interpretações diferentes. Vale até aquela bem esdrúxula, pois você não está concorrendo a nada e nem vai provar nada a ninguém. Lembre-se que você não está em julgamento. Essa é uma reciclagem pessoal e intransferível. Continuando o processo ou por mim, carinhosamente chamado de faxina, pense em alguma característica que você deteste em alguém.

Certamente você deve ter a mesma ou conhece alguém muito próximo, ao qual não quer se parecer. Identificado o enguiço, fale a frase: EU SOU _________ (aqui neste espaço coloque o que é ex: agressivo, antipático, mal, etc) E ME ACEITO TOTAL E COMPLETAMENTE.

Repita o processo com tudo aquilo que precisa ser acolhido em você. Faça 3 por dia ou mesmo agende do jeito que melhor lhe convier. Para quem quer mergulhar, eu fiz um listão de cerca de 250 características consideradas ruins e mais umas 100 (ainda estou listando) das consideradas boas.

Associado a essa frase tem um movimento de bater com a ponta dos 3 dedos de cada mão, no chacra secundário, localizado cerca de três dedos abaixo de cada clavícula. Se você examinar, encontrará um pequeno declive entre as costelas. Feito isso ao longo de pelo menos uma semana, passe para as chamadas sombras luminosas que nada mais são do que as virtudes e talentos que você acha que não tem ou não pode.

O que você admira em outra ou outras pessoas, muitas vezes são possibilidades não expressas de sua natureza criativa. Somos criados para acreditar que não será fácil ou mesmo que não temos capacidade de qualquer coisa que sonhamos ou que já ensaiamos expressar. Por causa dessa repressão, acabamos por transferir os anseios de nossas realizações para os filhos, causando-lhes danos irreversíveis. Eles por sua vez, não querendo desagradar aos pais, rumam em direção a carreiras ou situações completamente distantes daquilo que eles escolheriam.

Quantas pessoas hoje não estão trabalhando em determinadas atividades profissionais, somente para não decepcionar a família ou mesmo se sentir amado e acolhido? Faça o mesmo exercício do início, agora com as situações prazerosas e até o momento de sua vida, não vividas.

EU SOU ________(aqui neste espaço coloque um talento que você admira em alguém como sendo seu) E ME ACEITO TOTAL E COMPLETAMENTE.

Faça esse exercício por uma semana e se quiser, simultaneamente com o primeiro. Vai ter, no início algum desconforto, mas não recue, continue até que aquele pedaço de você desagregado do seu verdadeiro EU e que estava reprimido, tanto no que é ruim e desconfortável, quanto no que é bom e prazeroso e que você ainda não tomou posse, saiam do subjugo do EGO e passe a fazer parte de sua essência. 

Vamos acolher e ter amor e compaixão por tudo aquilo que é nosso, sem julgar e sem reprimir. Aceitando todos os seus cantinhos com carinho e eles não mais serão uma assombração dentro de você.

A verdade liberta e o amor transmuta! Boa Jornada!

Vera Ghimmel

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Jornalista e terapeuta com formação em Bioenergética, numeróloga e coach com a ferramenta da hipnose clínica; também realiza seminários.