por Andrea Pavlovitsch

O que é ter autoestima?

Eita termo usado à exaustão esse, né!? Escrito errado, separado ou com l, mas sempre em voga. Um termo que pode ser confundido com muitas coisas e que, confesso, demorei para entender e implementar. 

Primeiro, vamos dizer o que não é autoestima. Autoestima não é autoconfiança, apesar de abarcá-la. Não é narcisismo, não é vaidade. Não tem autoestima quem não sai do cabeleireiro ou anda toda montada. Ela até pode ter, mas isso não demonstra nada. Autoestima não é se amar e dizer isso o tempo todo e nem fazer biquinho (apenas pare) nas fotos das redes sociais. O buraco é bem mais em baixo. 

Segundo Branden (1969): “Autoestima é uma necessidade humana essencial que é vital para a sobrevivência e o desenvolvimento normal e saudável”. Em outras palavras, não tem como ser considerado dentro da norma social sem esse componente. E, por mais importante que ele seja, é bombardeado o tempo todo. 

Autoestima é se amar sim. Mas “se amar” é abstrato demais. Então, eu gosto de dizer que ter autoestima é se aceitar, exatamente do jeito que se é. E você deve estar se perguntando: “mas eu tenho que aceitar quieta e não mudar nada”? Não, não é o que eu falei. Mas é impossível mudar algo que não se conhece e, principalmente, se aceita. 

Dentro do AA (Alcoólicos Anônimos), grupo que ajuda pessoas a se livrarem do vício do álcool, o primeiro preceito é aceitar a doença. Este é o primeiro passo, a pessoa entender que tem um problema. Estes passos são também usados para outros grupos, como os narcóticos anônimos ou até das MADA (mulheres que amam demais). Ora, se é tão importante aceitarmos uma condição específica para conseguir mudá-la em nosso favor, o que não dirá de você, como ser humano? 

A autoestima é a base, a sustentação de todas as pessoas. É aquela coisa que faz com que você mantenha um foco, em alguma coisa ou lugar, a fim de ser manter vivo. Algo, dentro de você, que te ajuda a levantar de manhã todos os dias, mesmo no frio, mesmo que seu emprego seja ruim, mesmo que esteja mal, e siga em frente. 

Nos processos depressivos é a primeira coisa que desaparece. A pessoa perde esse “ânimo”, no sentido da vida mesmo, de animus enquanto alma. Os desejos diminuem em todas as áreas e o caminho é da morte. A autoestima é o se amar, acima de tudo e apesar de tudo. 

Isso passa por você como um todo. Aceitar que você tem defeitos e qualidades. Que tem chatices e esquisitices, mas tudo bem. Ter autoestima é não desistir de si mesmo e, principalmente, não se abandonar por não ser uma coisa que você acha que deveria. 

Para elevar a autoestima existem técnicas e terapias, mas principalmente existe o descobrir o quão maravilhoso cada ser humano é, com todas as suas vicissitudes. E quando aceitamos a nós mesmos, aceitamos mais facilmente o outro. Só gente sem autoestima se torna crítica demais com relação ao outro. Se eu não me aceito, não tenho como aceitar o próximo. 

Então, não é teste de revista e nem se resolve fácil assim. Depende de muitos fatores e vou falar um pouco sobre eles nos próximos artigos. 

Andrea Pavlovitsch

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Terapeuta porque adora ajudar as pessoas a se entenderem. Escritora pelo mesmo motivo. Apaixonada por moda, dança, canto e toda forma de arte. Adora pão de queijo com café e não pretende mudar o mundo, mas, quem sabe, uma pequena parte da visão que temos dele.