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por Andrea Pavlovitsch

Os excessos são causa e sintoma das tristezas

Ontem, eu fui ao shopping fazer compras. Andei pelas vitrines, tomei café e comprei chocolates que não costumamos encontrar no supermercado. Comprei algumas lingeries, duas camisetas que estava doida para achar e um presentinho. Um dia de compras assim, sozinha e feliz.

Lembrei que, tempos atrás, eu fazia isso com frequência. Com muita, muita frequência. Frequência suficiente para me deixar sempre endividada. Com o armário lotado de roupas que nem tinha onde usar. Comprando coisas que eu não precisava, porque estava na promoção ou porque “não vou achar depois mesmo”. E entendi como se perde o prazer quando é exagerado.

A grande verdade é que os excessos, qualquer excesso, seja em comer, em algum esporte, em amor ou em compras, enjoa. Se ele começa sendo uma maneira de diminuir a ansiedade, geralmente funciona por um tempo, mas depois ele vira uma fonte de mais ansiedade ainda. Ou seja, exagerar nos leva a ficar mais triste, mas começamos a usar pela tristeza, tornando isso a causa e sintoma, ao mesmo tempo.

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O prazer de ter uma noite de compras não desaparece, continua sendo bom. Eu saí do shopping com a sensação de que, no mês que vem, eu posso voltar e comprar aquele sapato de salto baixo que eu procurei e não encontrei, tomar mais um café e comer mais um chocolate especial. Mas se eu fizer isso hoje, amanhã e na segunda que vem vai perder a graça. Comer pizza é uma delícia! Mas coma pizza em todos os dias da semana e aquilo vira o que você sempre come. Esquecemos do prazer, perdemos isso que nos é tão especial, para virar corriqueiro. Que coisa mais triste!

A vida já é um monte de coisas chatas. Vamos manter as legais operantes? Que tal alguns sacrifícios especiais? Não comprar nada até poder voltar ao shopping no mês que vem. Não comer pizza a semana toda, optando por comidas mais leves e saudáveis, e se acabar em dois enormes pedaços de pepperoni no fim de semana, acompanhado de um chopinho bem gelado? A falta nos faz ver o quanto aquilo é bom, nos tira do ciclo de autossabotagem e de tornar ruim algo que é bom. Só sabemos o prazer de tirar um sapato apertado quando usamos um por tempo suficiente, não é mesmo?

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Andrea Pavlovitsch

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Terapeuta porque adora ajudar as pessoas a se entenderem. Escritora pelo mesmo motivo. Apaixonada por moda, dança, canto e toda forma de arte. Adora pão de queijo com café e não pretende mudar o mundo, mas, quem sabe, uma pequena parte da visão que temos dele.