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por Andrea Pavlovitsch

Quarentando

Eu quarentei há dois anos. Em uma festa que, apesar da pretensão de ser grande, foi pequena. Apareceram as minhas verdadeiras amigas, incluindo a minha irmã e os meus sobrinhos, e o namorado do momento. Sem mais.

Mas eu estava feliz! Mandei fazer um bolo caro de pasta americana. Imitação do bolo que eu vira um ano antes na revista Vogue. Estava mais magra, apaixonada. Vivendo entre altos e baixos, entre trancos e barrancos até aquele momento. Sentia que algo novo estava acontecendo. 

Dois anos depois, sim, algo aconteceu. Em dois anos dos "quarenta", eu vivi mais coisas importantes do que dos vinte inteiros. Parei de ciclar para começar a viver.

Os “quarenta” são um marco. Ou vai, ou racha. Ou você cresce, amadurece e vive a sua vida, ou encrua... E encruar me parecia o pior destino possível! 

Perdi o medo! O medo de morrer sem conseguir. O medo de errar. O medo de ir e não conseguir voltar. O medo da opinião dos outros. O medo de ser chamada de gorda, velha ou piranha. O medo de nunca ter a barriga que eu quero. O medo de criar algo meu, desde um cachorro até um filho.

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E quando não temos nada a perder, aí sim, tudo acontece. Vivi esses dois anos como uma sequência de fatos que eu "sempre quis fazer". A despeito de uma crise econômica galopante que não me deixou viajar como eu queria, conheci os prazeres mais simples da vida. 

O crescimento dos sobrinhos, as amizades verdadeiras. Achar a "minha turma" e o meu lugar no mundo. Encontrar o amor. Ao ponto de uma vidente me dizer nos primeiros 15 segundos de consulta: "Sabe isso tudo que você tem? É esse pacote que você vai ter e ser até o final!".

O alívio de ser eu mesma. O alívio de ter algumas opiniões de velha e outras de uma criança de 6 anos. O alívio de não me destruir por causa de ausências, excessos, palavras e sequências. De nunca, jamais, me destruir de novo. 

Quem falou que a vida começa aos 40 estava mesmo certo, mas não totalmente... A vida só começa aos quarenta quando a gente já cansou. Quando cansou de sofrer e não ser feliz. Quando cansou de ser mais uma em uma multidão de infelizes e sem poder. Começa quando tomamos o nosso poder interno por direito e deixamos de ser princesas para virarmos rainhas!

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Andrea Pavlovitsch

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Terapeuta porque adora ajudar as pessoas a se entenderem. Escritora pelo mesmo motivo. Apaixonada por moda, dança, canto e toda forma de arte. Adora pão de queijo com café e não pretende mudar o mundo, mas, quem sabe, uma pequena parte da visão que temos dele.