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por Erickson Rosa

Responder por impulso ou por lucidez

Todos nós temos ações que nos promovem um resultado. Um mundo de causalidade. Às vezes, mesmo sabendo que alguma atitude é negativa para nós, não conseguimos deixar de tomá-la. Por exemplo, comer açúcar. A pessoa pode até saber que o açúcar é negativo, que isso prejudica sua saúde, mas não consegue deixar de comer. Ou ainda, a pessoa sabe que precisa praticar exercícios, mas não consegue iniciar ou manter essa prática.

Por que isso ocorre? Por que não temos controle sobre nossas próprias decisões? A resposta para isso são nossos impulsos.

Impulsos são as formas automáticas com que respondemos aos estímulos que se apresentam no mundo. Essas respostas automáticas são nossas marcas mentais, aquilo que temos de referência em nosso interior, que refletimos no exterior.

Vitrine de loja com manequins e valores de descontos

Por exemplo, quando uma pessoa passa em frente a uma vitrine e observa uma roupa, ela pode dar vários significados àquela roupa. Pode ser que a pessoa goste, não goste ou ache indiferente. Depende de seu referencial interno. Esse referencial sempre depende de cada pessoa, e, por isso, várias situações podem ser interpretadas de diferentes formas, dependendo de quem as olha.

Quando olhamos algo, temos o impulso respectivo àquele objeto. Podemos sentir atração, repulsa ou indiferença. Esse impulso governa nossas ações, pois é algo não cognitivo. Quando olhamos algo que gostamos, sentimo-nos atraídos. Essa atração se dá em um nível automático e nos levam a ter ações automatizadas quando certos eventos que ressoam em nós acontecem.

Mulher cozinhando sorrindo

Não conseguimos controlar esse impulso, pois nunca treinamos não responder aos impulsos. Muito pelo contrário, somos treinados a responder de maneira rápida. Somos treinados a achar que somos nossos impulsos, que somos aquilo que ampliamos e de que gostamos. Por exemplo, sobre alguém que goste de cozinhar, esse gostar se dá por um impulso que ele tem quando se conecta com a comida. Assim, ele começa a achar que é um cozinheiro, quando na verdade está sendo um cozinheiro.

Aqui dei um exemplo neutro, mas podemos nos achar pessoas raivosas, negativas, egoístas.... Esse tipo de pensamento é levado por ações que temos quando seguimos nossos impulsos. Se alguém nos ofende, temos ações automáticas para esse evento. O impulso irá brotar. Toda vez que alguém faz algo e depois se arrepende, é porque seguiu seu impulso. De maneira geral, seguimos nossos impulsos e ficamos reféns das situações. Se alguém nos xinga, xingamos de volta, respondemos ao lodo do mundo com mais lodo.

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Mas podemos treinar nossa mente para não sermos reféns de nossos impulsos. Ao nos sentarmos em meditação e não nos mexermos durante o tempo de nossa prática, estamos praticando a não responsividade. Estamos sempre reagindo aos estímulos e respondendo aos impulsos. Mas em meditação, estamos treinando a nossa liberdade de não responder.

Essa liberdade nos permite que não nos arrependamos mais de nossas ações. A vida é muito curta para vivermos arrependidos. Por isso, podemos fazer a escolha de praticarmos para sairmos da escravidão de nossos impulsos. Para isso, podemos praticar por pelo menos 5 minutos por dia, sentando-nos em meditação, focando nossa mente em nossa respiração e buscando não nos mexermos por, pelo menos, 5 minutos.

Se estabelecermos essa prática aprenderemos a não sermos responsivos as situações e sim teremos liberdade de escolher não responder ou responder de outra maneira. A liberdade da mente é possível quando a treinarmos.

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Erickson Rosa

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Psicólogo clínico laureado pela PUCRS. Atende crianças, jovens e adultos. Palestrante sobre a temática do inconsciente.