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por Erickson Rosa

Diante da confusão, onde encontrar a felicidade?

Alan Wallace, autor americano especialista em Budismo Tibetano, refere que a alegria vem do que trazemos ao mundo, e não do que pegamos dele. Se analisarmos essa afirmativa e olharmos para nossa vida, a grande maioria de nós busca a felicidade no mundo lá fora. Correndo atrás de coisas que nos permitam sentir a satisfação que temos quando conquistamos alguma coisa. Porém a felicidade é algo que podemos manifestar em qualquer momento em nossa vida.

Para ficar mais claro, quero neste texto explanar como acreditamos que a felicidade é gerada por meio da conquista das coisas, provocando um engano. Depois quero refletir sobre como ela surge a partir das coisas que trazemos para o mundo e no contato com essas coisas. No final, trarei 3 formas de manifestação da felicidade conforme grandes autores nos trazem.

Felicidade condicionada

Não é de hoje que acreditamos que nossa felicidade está lá fora. Quem nunca pensou que a vida estaria melhor e que seria mais feliz se conquistasse aquela sonhada casa ou um carro novo. Que se ganhasse rios de dinheiro, aí sim, a felicidade estaria garantida. Obviamente, se não temos uma boa casa e nos preocupamos com nosso sustento básico, fica difícil pensar em outra coisa. Precisamos, primeiramente, ter o básico para nosso sustento, mantendo nossa saúde em condições mínimas para nosso viver. O problema vem quando acreditamos que precisamos de mais que isso.

Em nossa sociedade atual, acredita-se que a felicidade está na ostentação de objetos e no acúmulo de capital. Vivemos nossa vida achando que a felicidade está na obtenção de coisas. Cremos piamente que uma viagem, um lugar, uma nova vida nos trará a tão sonhada felicidade. Não nos damos conta de que essa energia se esvai quando temos contato em demasia com o objeto de nosso desejo.

Idoso branco numa motocicleta, sorrindo com o polegar levantado.

Por exemplo, pense em sua comida predileta. Provavelmente você gosta muito dela. Mas se você ficar um mês comendo somente esse prato, com certeza enjoará e não irá querer vê-lo tão cedo. Da mesma forma quando compramos algo. Com o tempo, a satisfação da compra vai se esgotando, e logo queremos ter a mesma sensação novamente. Assim desejamos comprar para ter a satisfação que sentimos ao adquirir algo novo em nossa vida. Isso não é felicidade, mas um prazer momentâneo que experimentamos ao comprar algo.

Se olharmos as campanhas de marketing nos dizendo a todo momento de maneira direta e indireta que a felicidade está na aquisição, entendemos por que muitas vezes nos importamos mais com as coisas que com as pessoas. Tudo que compramos ou adquirimos com o tempo se esvai, e a energia que sentimos ao ter essas coisas também se vai.

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Nossa felicidade fica então sujeita a uma série de condições. Surge então o “Só estarei feliz se...”. Pode colocar o que você deseja hoje no final dessa frase. Porém, se a pessoa atinge tal objetivo, passa a ter dois problemas. O primeiro é que precisa manter o objeto de desejo, e o segundo é o medo de perder.

Por exemplo, conheço um senhor que desejava muito uma posição de liderança em sua empresa. Ele achava que não era reconhecido e que era mais capaz que muitos de seus colegas. Ele dizia que se empenhava muito e que era dedicado aos projetos. Aconteceu que certo dia o promoveram para uma posição de liderança. Ele ficou muito feliz, porém, passado algum tempo, estava a queixar-se de muita pressão e que precisava trabalhar o dobro para manter. A simples ideia de perder sua posição de prestígio o deixava temeroso e muito ansioso. Dessa forma, antes sofria por não ter o que desejava, e agora sofria por ter o que havia desejado e pelo medo de perder aquilo que havia conquistado.

Felicidade consciente

A felicidade não pode ficar condicionada às coisas, porque o que ocorre é que, quando desejamos algo, inevitavelmente estamos presos no desejo e no apego àquela coisa em questão. Se não a alcançamos, entristecemos; se atingimos, sofremos se a perdemos ou fazemos esforços para não a perder.

Mulher branca sorrindo com a mão na lateral do rosto.

Mas a felicidade não vem das coisas que podemos conquistar. Ela vem da alegria que podemos levar às outras pessoas e da alegria que sentimos na conexão com elas. Quando trabalhei no hospital, nunca encontrei uma pessoa que, em seu leito de morte, referiu que queria ter mais posses e ter comprado mais coisas. Todas falavam sobre suas relações, sobre o contato com as pessoas e o quanto queriam ter mais tempo com elas. Isso é o que realmente importa em nossa vida.

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Precisamos ter consciência do que nos traz a felicidade para assim despertarmos essa poderosa energia que nos move para um movimento de compaixão e alegria. Para isso, podemos seguir alguns passos.

1º - Precisamos buscar uma tranquilidade em nossa mente, para assim termos a capacidade de não sermos arrastados pelo desejo que nos faz acreditar que a felicidade está lá fora. Entender que a felicidade é um estado que podemos atingir nesse exato momento. Se ficamos felizes diante de condições, podemos ser felizes livres dos condicionantes. Para isso, podemos buscar a meditação ou formas que nos permitem pacificar nosso pensamento e nossa confusão mental. Podemos, por exemplo, realizar práticas como a do mestre zen Thich Nhat Hanh, que explica que a simples concentração em nossa respiração pode nos trazer para o momento presente, não permitindo que sejamos arrastados pelo estresse e pela confusão do cotidiano. Treinar a respiração consciente ou a meditação é um primeiro passo para acalmar sua mente.

2º - A felicidade pode ser manifestada também por meio da gratidão. Sentir-se realmente grato é uma forma de manifestar a felicidade de maneira genuína. Essa forma faz com que manifestemos a compaixão pelos seres e entendamos que nunca realmente estamos separados da rede que nos conecta a este mundo. Para manifestar a gratidão, pense em uma pessoa pela qual você é grato. Escreva em uma folha como você se sente. Depois ligue para essa pessoa e leia essa carta. Verá como a conexão com a pessoa por quem você sente essa gratidão aumentará, assim como sua felicidade com ela.

3º - A felicidade vem quando beneficiamos as pessoas. Se geramos benefícios às pessoas que estão a nossa volta, a felicidade se apresenta. Quando ajudamos os outros, sentimos a utilidade de nossa vida se apresentando e entramos em contato com os outros seres. Essa compaixão amorosa que se apresenta nos permite entrar em conexão com a rede que estamos em constante contato. Basta olhar que nada neste mundo vive separado. Vivemos com o ar nos pulmões, e muitas pessoas passaram em nossa vida para estarmos onde estamos. Vivemos sempre em rede.

Quatro mãos unidas em sinal de solidariedade

A felicidade não é algo que vem de fora. Ela brota no nosso olhar para as coisas. Quando olhamos um belo amanhecer, não significa que ele tenha o poder de nos deixar felizes, mas sim que nossa energia brilha e gera a felicidade em nosso coração ao nos depararmos com algo que cremos ser belo.

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A energia brota do contato com as coisas. Você pode fazê-la brotar em sua mente e coração. Basta que treine essa mente e coração para manifestá-la.

Vamos começar hoje?

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Erickson Rosa

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Psicólogo clínico laureado pela PUCRS. Atende crianças, jovens e adultos. Palestrante sobre a temática do inconsciente.