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por Erickson Rosa

É necessário dirigir nossa própria mente

Parece estranho o título deste artigo. Como assim dirigir nossa própria mente? Mas de maneira geral nenhum de nós consegue dirigir nossa própria mente. Estamos imersos na mente confusa e direcionada para os estímulos. Não conseguimos direcionar e apenas seguimos o fluxo de informação que parece nos engolir. Neste texto quero mostrar a você como nossa mente fica imersa na confusão e como podemos fazer para não sermos arrastados por essa confusão mental presente em nossa condição humana.

Mente confusa

Tente ficar focado em apenas um objeto durante cinco minutos. Dificilmente conseguirá ficar com sua mente com esse foco atencional, sem ser carregado por outro pensamento. Nós não conseguimos manter nossa mente focada porque não conseguimos dirigi-la.

Esse mesmo efeito ocorre quando a pessoa começa a meditar. Ela logo sente que não consegue, pois seu pensamento vagueia e de repente ela se pega pensando em outras coisas, que não o foco de sua meditação. Isso é porque a pessoa percebe que sua mente é uma bagunça. A mente sempre é uma bagunça, mas quando a pessoa se senta para meditar ela percebe como está sua mente.

Por essa razão é que nosso humor varia de acordo com os estímulos que recebemos. Por exemplo, quando compramos algo ficamos felizes por receber um novo estímulo. Da mesma maneira acontece com uma viagem, uma nova casa ou com um novo trabalho. Todos são estímulos novos, que nos fazem ter novas sensações. Da mesma forma ocorre quando temos estímulos que nos geram aversão. Nossa mente então é carregada para pensamentos negativos e dolorosos, que geram o sofrimento.

Assim nossa mente, humor e sentimentos são carregados facilmente por estímulos que recebemos do meio em que vivemos. Mas claro que podemos direcionar nossa mente, não deixando que sejamos carregados tão facilmente.

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Dirigindo a própria mente

Precisamos, antes de tudo, olhar para a nossa mente confusa. Sentar em meditação e contemplar nossa mente. Essa é a forma que temos para olharmos para a confusão da mente e aquietarmos ela. Ao olharmos para nossa mente, as emoções perturbadoras e os pensamentos que nos carregam diminuem e podemos olhar para nossa mente de forma clara, como quando se olha para uma água límpida e transparente. Deixamos que a tranquilidade da mente limpe a confusão gerada pela mente inquieta e que carrega nossas emoções.

Primeiro sentamos focando nossa atenção em um único objeto. Seja ele externo (um copo, uma folha, uma vela) ou interno (respiração, sensações do corpo, movimento da mente). Isso fará com que tenhamos controle para que nossa mente não seja carregada por qualquer situação que aconteça em nossa vida. Começamos assim a criar uma não oscilação.

Depois que adquirimos essa não oscilação, passamos a olhar para o que surge em nossa mente. Os pensamentos e as lembranças que geram emoções e perturbações. Contudo, agora temos a possibilidade de não nos afetarmos com tais criações mentais.

Conseguimos não ser reativos, mas sim ativos na própria mente.

Ao olharmos para nossa mente, perceberemos que essas perturbações são apenas criações de uma mente agitada. Ao acalmarmos a mente, iremos ter mais capacidade de agir no mundo de maneira mais lúcida e com mais discernimento. É possível para cada pessoa alcançar esse esclarecimento, mas ela precisa ter a motivação de sair da própria confusão gerada em sua mente e que ela não percebe. A motivação pode ser sua própria busca pela felicidade e sair do sofrimento de ser carregado por estímulos que geram satisfação apenas provisória.


Veja também: Barra de Acess: a expansão da consciência

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Erickson Rosa

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Psicólogo clínico laureado pela PUCRS. Atende crianças, jovens e adultos. Palestrante sobre a temática do inconsciente.